Uma semana depois a ânimo continua a ver o sol nascer e a dar graças por tal Benção,a admirar-se e a agradecer todos os incríveis gestos de amizade, a exaltar-se com os mais recônditos pormenores em que tropeça, desde o continuado voo das gaivotas, aos ansiosos e cansados rostos dos habitantes das paragens do 727,732,para terminar nas derradeiras despedidas do astro rei ele mesmo desesperado pela primavera que tarda.
Mas...uma semana depois, a ânimo reconhece que precisa de mais algum tempo para beber até à última gota o sangue de uma compulsividade comunicativa que jamais poderá voltar a criar-lhe a ilusão de que o mundo só pula e avança na rigorosa proporção do seu desmedido e desregrado egocentrismo.
A ânimo esteve no fabuloso concerto de Ano Novo e também na homenagem a Gustav Leonhardt, chegou, finalmente, à fala com esse imparável João Vaz, dinamizador por excelência dos adormecidos órgãos de Lisboa e com quem queremos voltar a falar, a ânimo tem visitado exposições, doentes com a morte no horizonte, gente com ideias aos montes....e com tudo a ânimo se rejubila sem que tenha de descer à vila.
Por quê, então, este continuado silêncio?
Essa resposta só a continuação deste silêncio permitirá.
A ânimo aceita, no entanto, que quem quiser possa subir a este terreiro dos "COMENTARIOS", ou através do seu mail, aqui apressando, com o seu voluntário testemunho, o fim deste silencioso mundo.
Muito obrigado.
antónio colaço
COMENTÁRIOS
Bom dia, António
Na verdade somos mesmo muitos e a prová-lo tivemos nos últimos dias aniversariantes quase diariamente ( nos dias 10,12, 13, 15 e 18). Eles sucedem-se naturalmente, contribuindo para a alegria de todos nós.
Assim, HOJE, dia 19, está de parabéns Lúcio Serras Lobato, do qual tenho apenas o seguinte contacto -luciolobato@sapo.pt; e
no dia 21 está de parabéns o Francisco Lourenço Cardosa, tel 966 619 941.
Um abraço
Adriano
EM EDIÇÃO
Meu muito estimado Amigo:
Mil graças pelas palavras sempre gentis que tem sobre mim.
Imerecidas.
Envio-lhe este debate. Uma forma de dar a conhecer o meu último livro.
Abraço grande e amigo
Anselmo
FAZ DUPLO CLIC NA IMAGEM PARA PERCEBERES A RIQUEZA DO PAINEL
NR
Um Debate que nos deixe a todos nós, "os do Sul", com uma tremenda inveja!!!
Para os nossos amigos que estão pelo Norte aqui fica a notícia, melhor, o DESAFIO:
- IMPERDÍVEL!
antónio colaço

Um destes dias esqueci-me por completo de dar os parabéns a um amigo que muito prezo.Quando dei por ela, meti-me ao caminho, liguei-lhe e, como vai sendo hábito,saquei da minha "Parrot", harmónica de boca, vulgo, "gaita de bêços", como se diz no meu Alentejo ( uma gaita made in China, só podia...)e aí vai disto, "Parabéns, a vocêêê....."!
2
Ontem, melhor dizendo, hoje, depois do frenesi dos telefonemas, sms, mail e....faceparabéns,dei por mim a tropeçar em dois ou três silêncios rolando aos trambolhões pelas escadas da memória dos meus afectos.
Na hora de me sentir ignorado, esquecido, marginalizado....tiniu a campainha do acerto de contas, tipo,"mas por quê tanto drama, meu, não te esqueceste,também, e logo de J ?!Vê, no entanto, que ele não se esqueceu de ti!"
Sim, quase desejei, ontem, ter sido justiciado por J com um esquecimento igual.Igualzinho.
3
Esta imagem que hoje revelo da minha breve infância por um dos jardins de abastada vivenda, lá para as bandas da Rua da Constituição, no Porto,contém a chave para decifrar estes intermitentes amuos com aquele lado condicionado de mim a que nem sempre acudo com a mais que exigida prontidão.
Acho que estou nesta imagem com cara de caso.Alguma coisa não corria bem. As dedicadas mãos femininas que me acarinham sei que eram de alguém que me derretia com amor e carinho. Por quê, então, esta constante insatisfação?
4
Num dos afortunados textos que aqui publicamos do meu querido amigo Pe Anselmo Borges - ele mesmo, incansável, em trazer-me nas palmas das suas santas mão, nas nossas conversas privadas - abordava-se a questão da necessidade que todos temos de reconhecimento. De sermos tidos em conta.De sermos nomeados.Que o nosso nome conte, numa palavra.
5
Graças ao meu querido Pai, padeiro, quase em permanente transumância por terras do Alentejo e Beira Baixa, e com uma invulgar capacidade de fazer amizades por todas as terriolas por onde íamos passando - e não foram tão poucas como isso - amizade essa cimentada nas árduas solidariedades do quotidiano, desde o exigente trabalho nocturno de padaria, quase braçal, à pequena hortinha amanhada com um rigor que nem o nosso querido Ribeiro Teles lhe chegaria aos calcanhares, para não falar da artesanal construção de grande parte do humilde mobiliário da casa, conserto de sapatos e até, pasme-se, dinamização cultural construindo instrumentos para uma bem disciplinada banda que percorreria as ruas da aldeia em carnavalescos folguedos....graças a este tão fabuloso quanto encantador Pai, dizia eu,muito depressa lhe segui o passo na arte de fazer amigos como portos de abrigo para as constantes surtidas pelo encapelado mar dos meus dias.Quando às vezes me perguntam se não sofria quando me despedia dos amigos a meio de processos de conhecimento é certo que sim, mas não me recordo que tal tenha sido impedimento para avançar para os novos relacionamentos que a chegada a outra terriola como que exigiam.
6
Nestes meus 60 anos, o sexto e último ponto desta reflexão.Abençoo o tão mal afamado Facebook, para alguns - eu próprio demorei a aderir-lhe - mas que em boa hora aí está a provar de que QUEM verdadeiramente continua a contar SOMOS NÓS, cada um de nós, o Face só veio apanhar a boleia de nos entrelaçar os nós das tantas cumplicidades e vontade de comunicarmos, mesmo que, por vezes, apenas nos seus preguiçosos "Like"!!
Sim,ontem com os pré-históricos telefones, telemóveis, mails, sms, hoje, com estes modernos desenvolvimentos de Ipads,Ipfones4s, etc,UMA ÚNICA REALIDADE PERMANECE ACTUAL:CADA UM DE NÓS, COM O SEU PRÓPRIO NOME, A SUA PRÓPRIA HISTÓRIA,A SUA VONTADE DE FAZER DIFERENTE E MELHOR.
Sim, do que se trata é que cada um de nós apenas quer que o tenham em conta.
Que o seu nome conte.
Nunca duvidei, mesmo os meus amigos que se esqueceram ou mesmo quando eu, como a historinha que aqui evoco, me esqueci dos meus amigos,sabemos que os nossos nomes "estão escritos no Céu!"
É lá que nos espera o verdadeiro e Eterno...HEAVENBOOK!
Obrigado!
PS
1.Viram?!Não foram precisos os lencinhos para as propaladas qwérticas lágrimas!Estes publicitários são mesmo uns exagerados!!!!
2.Como os amigos da blogosfera não têm acesso ao Facebook se lá não tiverem inscritos, já se sabe, aqui deixo aquela que foi a minha melhor prenda:
-Os Pais do Francisco, Rita e Paulo,ofereceram-me, por inteiro,esta foto do Francisco com o texto que lhe segue!!!
Muito obrigado!!!
antónio colaço
Tejo, esta manhã.
O animador de serviço está a preparar um COMOVIDO OBRIGADO a todos os amigos que se lembraram dele, ONTEM,por ocasião dos seus S-E-S-S-E-N-T-A anos, aos que apenas se lembraram HOJE, e, por que não, àqueles que ainda estão a tempo de se lembrarem JUST NOW, o que quer dizer, AGORA MESMO!!!!
Até já!
NOTA
Um texto para cuja leitura, de tão comovente, exige que alertemos corações mais sensíveis e que assim possam passar-lhe ao lado.
Ainda temos para a sua adequada leitura, não óculos 3D, mas lencinhos para enxugar as mil e umas qwérticas lágrimas.
Obrigado.
antónio colaço
Foto.Tejo, há instantes
Sem o esplendor de outros dias, obrigado, pelo envergonhado Sol deste dia.
Sim, sei o que me pedes.
Que nunca deixe de fazer brilhar a Tua Luz junto dos que me amam, mas, sobretudo, sim, no meu tantas vezes enublado coraçãozinho.
Obrigado.
antónio colaço
No momento em que esta crónica sai para as bancas,cumpriram-se os meus 60 anos de vida.
Escrevo como quem esconjura.
Como quem bate o pé.
Recuso-me a envelhecer.
Fazer 60 anos é só para os outros.
Eu quero continuar a ter 6 meses.Quiçá 6 anos.Ou mesmo,de preferência, 16 anos.
Agora s-e-s-s-e-n-t-a?!
Não, não me passa pela cabeça, santa paciência.
E no entanto, é essa aidade que o meu BI, certeiro, sem tirar nem pôr, regista.
2
Nunca conheci nenhum avô e, no entanto, afortunadamente, tenho-o aqui à minha frente. Se fosse vivo, como eu, teria feito no dia 23 deste mês de Janeiro,128 anos.
Capricorniano como eu. Nascido, portanto, em 1884.
Eu acho que o meu avô havia de gostar de me ter conhecido, tanto como eu de conhecer, finalmente, o meu primeiro neto. Mas tive, em contrapartida, a felicidade de conhecer a minha querida e única Avô, Maria dos Remédios. Soube, mais tarde, porque me dedicou um carinho especial e que esta foto documenta: o puto que está a meio da fotografia e a quem o meu Avô dá a mão num abandono de total confiança, era loirinho.Veio a ficar no fundo de uma charca, perto da casa do Largo do Espírito Santo, na sequência das despreocupadas brincadeiras dos putos. Passei por lá muitas vezes e sempre esse facto me era apontado com redobrada preocupação.
3
Entre estas duas imagens, cumprem-se cinco gerações.
Dentro de outras tantas, os que vierem a seguir poderão recorrer aos arquivos do VMT e confirmarão, entre risos:olha, o nosso bisavô António, o tal que não queria envelhecer?!
4
Meu querido Francisco, cujo rosto, ainda que parcial, revelo, finalmente: é claro que aceito os meus 60 e que bendigo a hora de poder embalar o teu sono, para que possas crescer em sabedoria e, um dia, nos teus 6 anos, ou, quem sabe, aos 16, percebas que fazer anos não custa nada.É por isso que fazer 60 anos a pensar como seria bom rebobinar o tempo para os 6 meses, 6 anos ou 16 anos só acrescentaria angústia e seria evidente sinal de quem ainda não percebeu o que ainda aqui a fazer.
Fazer 60 como quem pensa nos 70, 80, 90, 100, por que não, é que é de homem!!!!
Sim, não são os anos que nos fazem, somos nós que fazemos o que quisermos dos anos que nos são colocados à disposição para que os desfrutemos.
PS
(Crónica enviada para o mensário Voz da Minha Terra,Mação, mas que hoje, com o devido agradecimento, aqui antecipo!Obrigado.)
antónio colaço
Tejo,há instantes.
Depois de ler o belíssimo e iluminado texto do meu amigo Pe Anselmo Borges, não sobra mais nenhuma palavra por dizer.
Eis o amanhecer da....Palavra!
Obrigado.
antónio colaço
"O agnóstico M. Gauchet disse: "O que ameaça a democracia, hoje, é o vazio, a futilidade, o esquecimento, a facilidade, o curto prazo, a superficialidade. As religiões, e o cristianismo em particular, têm o sentido do essencial, do trágico, do mistério da aventura humana, coisas que a democracia facilmente ignora. Elas podem ser decisivas para a democracia."
COMENTÁRIO
Começar o sábado no meio da luminosa neblina que nos circunda, aqui por Belém, sabendo que há saída, que está um SOL luminoso à nossa espera...
Obrigado, por outro grande momento de meditação.
antónio colaço
Pe Anselmo Borges
In DN,hoje
SECULARIZAÇÃO E DESTINO DA EUROPA
Aí está um tema fundamental. Mas, quando se reflecte, é necessário perceber que há vários sentidos de secularização.
1. O primeiro sentido - secularização vem do latim saeculum (mundo) - tem a ver com a autonomia das realidades terrestres. A Bíblia é essencialmente dessacralizadora da natureza, da história e da política, precisamente porque a criação ex nihilo por Deus, pessoal e transcendente, criando, não por necessidade, mas livremente e por amor, implica a autonomia das criaturas.
Este sentido de secularização é particularmente importante para a política, que deve estar separada da religião. O Estado deve ser laico e não confessional. Jesus tinha dito: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus." Mas também as ciências, a economia, a filosofia, a própria moral são autónomas, com as suas próprias leis, sem pedir legitimação à religião.
2. Há um segundo sentido de secularização. Tem a ver com aquele processo mediante o qual, concretamente na modernidade, se pretendeu realizar no mundo o Reino de Deus. A modernidade ainda era teológica, na medida em que queria, pela razão, pela ciência, pela técnica, pelo progresso ilimitado, trazer para a imanência, realizando-as, ideias religiosas da fé cristã: messias, salvação, consumação da história - o Além deveria realizar-se no aquém. Pense-se em Feuerbach, Marx, Condorcet, Bloch... O seu ateísmo era de algum modo "positivo", no sentido de que não negava Deus pura e simplesmente: o que queria era realizá-lo no mundo e na história intramundana.
3. Que sucedeu no nosso tempo? As grandes esperanças da modernidade ruíram. O "socialismo real" faliu, o progresso científico-técnico põe problemas graves, sobretudo por causa da ecologia, a razão já se não encontra divinizada, assiste-se ao fim das meta-narrativas - só há pequenas histórias, o pensamento é débil (il pensiero debole, de G. Vattimo). Assiste-se assim a uma crise geral de Deus, na medida em que a descrença parece normal - pelo menos na Europa, já não se sabe se Deus existe ou não, e reina a indiferença, numa sociedade que já é, em grande parte, pós-cristã.
Consequências: encontramo-nos cada vez mais inseguros e assiste-se ao aumento do consumo de drogas e antidepressivos. A perspectiva é cada vez mais pragmática - o que interessa é o aquém sem Além: a vida depois da morte já não parece sequer ser problema. Continua a festa do consumo, mas os europeus andam cada vez mais insatisfeitos. Não há filhos nem futuro. É a desorientação e a consumação do niilismo.
A actual situação é fruto do terceiro sentido de secularização: secularização da secularização, isto é, fim da secularização moderna e secularismo radical. Deste modo, a questão essencial é precisamente a crise dos valores e do sentido. Como viu o filósofo Georges Gusdorf, "Deus morreu, a História enlouqueceu, o Homem morreu: tudo fórmulas desesperadas que exprimem a tomada de consciência, e o ressentimento, da ausência de sentido". Não colocando sequer a questão de Deus enquanto questão, que é a questão do sentido último, a Humanidade europeia sucumbe ao imediatismo, a uma visão fragmentária do aqui e agora, sem horizonte de ultimidade. Aí está então a falta de força anímica, de projecto, de futuro. Thanatos toma conta da Europa.
Isto tem, evidentemente, repercussões também na economia e na democracia. Para quê poupar, por exemplo, e investir no futuro? Václav Havel, um dos europeus mais lúcidos do século XX, preveniu: "Pela primeira vez na História, assistimos ao desenvolvimento de uma civilização deliberadamente ateia. Deve alarmar-nos". "A transcendência é a única alternativa à extinção." E o agnóstico M. Gauchet disse: "O que ameaça a democracia, hoje, é o vazio, a futilidade, o esquecimento, a facilidade, o curto prazo, a superficialidade. As religiões, e o cristianismo em particular, têm o sentido do essencial, do trágico, do mistério da aventura humana, coisas que a democracia facilmente ignora. Elas podem ser decisivas para a democracia."
aguarda