Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
WEBANGELHOS DE ANSELMO BORGES E BENTO DOMINGUES


Pe Anselmo Borges

No Diário de Notícias de 7 09 de novembro
As religiões, concretamente como monoteístas, condena (ra) m, nos seus textos, por vezes sob ameaça de morte, a homossexualidade.

Assim, lê-se no Levítico: "Se um homem coabitar sexualmente com um varão, ambos Cometeram um acto abominável; serão os dois punidos com a morte".

Mas, segundo M. Darnault, em religiões Le monde des, o texto que está na base da homofobia cristã é o relato bíblico de Sodoma e Gomorra. Dois homens, enviados de Deus, chegaram uma Sodoma e Ló acolheu-os pela noite, mas a população encolerizou-se: "Ainda não se tinham deitado, quando os homens da cidade rodearam a casa e chamaram Lot:" Onde estão os homens que entraram na tua casa esta noite Trá?-los para fora, a fim de os conhecermos ". Avançaram para arrombar a porta, mas os dois homens feriram-nos de cegueira, mandaram Lot fugir com um senhor e família" o fez cair sobre Sodoma e Gomorra uma chuva de enxofre e de fogo ", que destruiu tudo. Aquele Um fim" de os conhecermos "É um eufemismo para relações homossexuais e proveio de Sodoma sodomia.

E também sobre esta narrativa do "povo de Lot" que se apoia o Alcorão para reprovar esta "acção infame" e "torpe". A suna prescreve a pena de morte, a maior parte das vezes por Lapidação.

O fundamento da estigmatização da homossexualidade canónica e teológica, apoiada por especialistas da teologia moral, como São Tomás de Aquino, encontra-se no desenvolvimento do tema da depravação de práticas consideradas "contra a natureza", como São Paulo já tinha escrito na Carta aos Foi por isso que Deus os entregou um Romanos paixões: "degradantes. Assim como suas mulheres trocaram as relações naturais por outras que são contra a natureza. E o mesmo acontece com os homens: deixando as relações naturais com a mulher, inflamaram-se em Desejos de uns pelos outros ".

O Catecismo da Igreja Católica diz: "Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações Sepulturas, a Tradição sempre Declarou que" os actos de homossexualidade são INTRINSECAMENTE desordenados ». São contrários à lei natural, fecham o acto sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afectiva sexual, Não podem, em caso algum, aprovação Receber. Um número não desprezível de homens e mulheres apresenta tendências homossexuais profundas. Eles não escolhem uma sua condição de homossexuais; essa condição constitui, para uma maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á em relação, a eles, qualquer sinal de discriminação injusta ".

Parece seguir-se o Princípio da Condenação do acto, não das pessoas. Também o Dalai Lama, em 2001, declarou que "a homossexualidade não faz parte uma má conduta sexual que chamamos" depois, RECTIFICANDO: "Só o respeito ea atenção ao outro Deveriam governar a relação do casal, hetero ou homossexual". Na Igreja Anglicana, há debates acesos por causa da ordenação de bispos gays e bênçãos de casais homossexuais.

Entretanto, em 1993, a OMS retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais.

Recentemente, houve um apelo lançado por 66 Países para uma despenalização universal da homossexualidade a que se associou o Vaticano. Ainda bem. E não DEVE haver lugar para discriminação. Julgo também que não há razões para negar uma comunhão a quem tem essa orientação.

O Estado Deveria encontrar uma forma de união com Consequências jurídicas semelhantes às dos casados. Mas, como já escrevi aqui, a questão reside em saber se há-de chamar-se-lhe casamento. O problema mais é do que religioso e as palavras não são indiferentes, pois não pode dar-se o mesmo nome ao que é diferente. Como disse o filósofo ateu Bertrand Russell, "o casamento é algo mais sério do que o prazer de duas pessoas na companhia uma da outra: é uma Instituição que, Através do facto de provirem filhos dela, forma parte da textura íntima da sociedade, e Tem uma Importância que se estende muito para além dos sentimentos pessoais do marido e da mulher ". Assim, o que uma sociedade tem de resolver é se considera o casamento essa Instituição ou uma mera Contratualização de afectos.

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Frei Bento Domingues

In Público, 8 de 09 de novembro

COMPANHEIROS DE VIAGEM

 



 







Num mundo pluralista, uma viagem comum é a laicos e religiosos, interpretada de formas diferentes



 






1.Na semana passada, uma liturgia da Igreja Católica foi muito sóbria, apesar do paradoxo que celebrava: Aqueles que estão vivos morreram. Por outro lado vão, como fazer que pessoas aos cemitérios, onde só existem os restos mortais daqueles que amam? Perante essa escuridão que, confiam, Do outro lado do parentes, Abismo e os amigos não estão abandonados. Vão ali, para não se esquecerem deles.


Entre os mortos, nas celebrações religiosas e civis, também há categorias. Nas civis, discute-se quem merece e quem não merece ir para o Panteão Nacional, quem tem direito ou não a uma estátua, a um nome de rua ou de avenida. Pertence aos detentores do poder Decidir como canonizações por méritos políticos, sociais ou culturais. Nos elogios fúnebres, enaltece-se a obra eo exemplo de uma personalidade, vincando, assim, o carácter elitista da Consagração civil. Segundo esses Critérios, para quem não deixar obra de vulto, não há memória que os resgate. No Exército, ainda há lembrança para todos os militares, mediante uma evocação do Soldado Desconhecido. Nos cemitérios, há margem para uma Devoção ea ostentação, segundo as posses de cada um.

As celebrações católicas, com uma festa de Todos os Santos, fazem um Esforço contra o elitismo. Confessam que os canonizados - e os que estão a caminho de o ser - são uma pequeníssima minoria em relação às visões deslumbradas do Apocalipse: "(...) Não façais mal à terra nem ao mar nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus. E ouvi o número dos que foram marcados: cento e quarenta e quatro mil de todas as tribos dos filhos de Israel. Depois disto, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos , Povos e Línguas "(Ap 7, 2-14). No Esforço contra o elitismo, estas celebrações não vão até ao fim: ainda deixam de fora os classificados sem glória, os Fiéis Defuntos.

2.Perante a morte, como Laicas ou celebrações religiosas são formas de protesto, aparentemente inúteis, contra essa fatalidade. A partir de noções elementares comuns a toda uma espécie humana, e por também Expressas que todas as línguas, bons, maus ou indiferentes são todos companheiros de viagem. Na inclusão ou exclusão guerra ou na, na na paz, fazem parte de uma aventura que mal sabem interpretar e que não é na morte que se pode resolver: é no caminho. As interpretações da vida - Sejam elas científicas, metafísicas, éticas, estéticas, religiosas ou Laicas - não são indiferentes uma viagem da Qualidade. Mas, se não quisermos que valha a vontade do mais forte, será preciso conversar, tomar o outro nosso hóspede ou aceitar uma hospitalidade do outro. Isto significa Reconhecer que não estamos acabados, que não somos perfeitos, por isso estamos a caminho, com o sentido que cada um ou cada grupo descobre para a sua vida. Caminhamos com que vem gente de todo o lado, de todas as culturas, Povos e Línguas. Fora do Diálogo, não há salvação.

3.Deste modo, num mundo pluralista, se resistirmos uma mentalidade de gueto, um abraço comum uma viagem Laicos e religiosos, embora interpretada de formas diferentes. É o que nos indica uma parábola de há dois mil anos, um célebre Parábola do Samaritano (Lucas 10, 29-37, que pode ser Entendida como proposta, como acusação ou como remorso, por qualquer pessoa, de qualquer língua, de qualquer cultura , de qualquer religião. Há uma versão, longe da letra, perto do Espírito, cantada por Mercedes Sosa e Beth Carvalho: "Eu só peço a Deus que a dor não me seja indiferente ...". Basta esta indicação para encontrar, na Internet, esse impulso novo para Olhos Vendados olhando para caminhar sem, como margens.

Os Actos dos Apóstolos resumiram o itinerário da intervenção de Jesus, neste mundo, numa frase muito simples: "Passou, fazendo o bem". Quando S. Mateus tentou interpretar o sentido de toda a história humana, levando-a um tribunal, quem se salva e quem se condena não é por causa de ter cumprido ou violado os preceitos de qualquer cultura ou religião, mas por aquilo que fez ou deixou de fazer Perante a dor dos Desamparados (25, 31SS). Este é, aliás, o cume da viagem da ética e da santidade: fazer o bem porque é bem; Evitar o mal é mal porque, como já dizia S. Tomás de Aquino. Para o justo, não há lei. A sua lei é a bondade, a compaixão. O princípio do recto agir não faz nem o bem pela recompensa evita o mal com o medo do castigo.

Durante muito tempo, o enjoo causado por péssimas "Vidas de Santos" fez-nos perder de vista que a viagem é de uma santidade permanente transformação até encontrar o essencial da vida, segundo as características de cada pessoa. O Reino de Deus está dentro de nós, se nos tornarmos lugares de escuta do Espírito, no íntimo e na consciência da beleza e agonia do mundo.

A festa de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos, Entendida a partir das sugestões deslumbrantes do livro do Apocalipse, é a festa da boa gente de toda uma história humana e daquela que o amor Transformou. Não tenhamos medo de juntar, no mesmo reino de alegria, santos ateus, agnósticos, Místicos E aqueles que nunca souberam distinguir a mão direita da esquerda.




publicado por animo às 11:30
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