Sábado, 17 de Abril de 2010
MATINAS

Nascer do Sol,Serra do Bando*

 

Caro António Colaço
Tropecei neste lugar por acaso, no ano passado. Dei-lhe conta, de imediato, do forte contraste que se observa entre este ambiente e a maioria dos novos espaços sociais circundantes. Ocorreram entretanto algumas dificuldades técnicas com o endereço anterior que impediram o acompanhamento contínuo deste Ânimus. Regressei quando essas avarias foram resolvidas.
Sou em parte um intruso. Nunca fui seminarista nem senti vontade de o ser. Mas para quem tanto estremece com um cântico da comunhão cantado por vozes rudes e velhas numa capela da Matagoza, um Magnificat de Herbert Howells, um poema de Daniel Faria ou com o Princípio de todas as Coisas de Hans Kung e reconhece como o seu habitat natural o horizonte donde se aviste o Cabeço do Bando ou a silhueta do Castelo e da torre de Abrantes, esta casa não é como as outras.
A familiaridade das paisagens, o entusiasmo crescente pela proximidade dos reencontros, a alegria de reviver amigos e lugares esquecidos, o confronto natural com o passar do tempo, com a doença, com a morte, tudo muito adocicado por um lado com a ternura de quem se sente a envelhecer e, por outro e sobretudo, por algo que, entre paixão nuns e revolta noutros, parece nunca ter abandonado o coração de quem aqui escreve – a vontade de olhar para as coisas como se elas não acabassem nunca.
Mesmo a um estranho faz bem. Muito bem. Ainda mais numa altura em que alcateias de lobos uivam nos cerros, famintas por reduzir a realidade apenas ao que vemos e por escarnecer dos que se recusam a aceitar como cadáver pútrido o seu único e exclusivo destino.
Tenho pena de não poder provar essa aguardente de medronho que vem dos Vales. Será com certeza um tónico para a Esperança, ao menos a de um dia ganhar uma partida de ping-pong ao Prof. Mário Pissarra.

Muito Obrigado
Nuno Gaspar

 

NR-São suas, hoje, Nuno - que não conheço - como tantas vezes desejo que o sejam por outros, estas MATINAS. Obrigado, porque as sinto como as imaginadas chaves para abrir, já, aqui e agora, esse almejado Céu de eternos vislumbres. Esta casa é sua.Mesmo que no distante Brasil, se bem me recordo. A net tem esse mérito: o mundo é já ali ao virar da esquina.Bom Sábado, Nuno.

*Ao contrário da imagem que desejo do próprio dia, hoje, por Lisboa, deixo-lhe este nascer do sol de há alguns anos na Serra do Bando.Lembro-me, como se fosse hoje.Estive lá!Um Sol intemporal!

antónio colaço



publicado por animo às 09:11
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