Segunda-feira, 12 de Julho de 2010
PE ANSELMO BORGES.O QUE QUEREMOS? SER SANTOS

 

 

 

Que queremos? Ser santos

 

Aí está! Alguns/algumas já nem quererão ler mais. Ouso, pois, pedir que primeiro leiam e, depois, falem.

 

1. Vale era a saudação latina: “Saúde, passa bem!”. Aliás a própria palavra saudação tem também a ver com saúde e com salvação. Saudar vem do latim: salutem dare (dar, desejar saúde). Ainda se diz nas aldeias: “negar a salvação a alguém”, com o sentido de recusar-se a cumprimentar uma pessoa. Saudade tem aqui igualmente o seu étimo. Veja-se, por exemplo, a expressão: mandar muitas saudades. A saudade é aquele sentimento de solidão que tem na sua base a falta da pessoa querida. Ter saudades e enviar saudades é aquele desejo de que quem partiu e anda longe, esteja onde estiver, passe bem. Por sua vez, saúde refere-se sempre àquela situação em que o ser humano na sua totalidade está bem. A saúde tem a ver com o todo holisticamente considerado, numa situação de integração e equilíbrio harmoniosos. Por isso, da saúde faz parte o funcionamento harmónico de todos os órgãos, uma boa relação consigo, com os outros, com a natureza, com a beleza, com o divino.

 

2. Tudo isto, porque prometi há tempos ao meu querido amigo António Colaço um pequeno texto sobre a santidade.

Ora, aí está algo que praticamente ninguém que alguma vez tenha pensado nisso (mas quantos pensaram?) quereria ser: santo. Até porque os santos com os quais habitualmente contactamos julgamos que são aquelas figuras geralmente muito feias, torcidas e até ridículas que vemos em muitos altares das igrejas e que são levadas a “passear” pelas ruas uma vez por ano nas romarias. Mesmo quando nos reportamos àqueles homens e àquelas mulheres reais de carne e osso, que aquelas figuras quereriam representar, vemo-los a maior parte das vezes como beatos, tristes, a bichanar orações, desagradados com a vida, deprimidos, de relações cortadas com o sexo, ascetas a quem não é permitido saborear as coisas boas da vida.

 

3. No entanto, se pensarmos bem, é mesmo isso que queremos ser: santos. Porque santo, também etimologicamente, tem a ver com saúde. E o que é que nós fazemos sem saúde? Santo e são têm a mesma raiz (note-se que dizemos Santo António e São Pedro). E isso tanto nas línguas latinas como nas anglo-saxónicas (por exemplo, health e holy). Há sempre essa conexão entre saúde, santidade, salvação e totalidade harmónica (health, holy e the whole). Só estamos sãos fisicamente, se tudo em nós estiver bem: uma dor da alma ou uma simples unha encravada colocam-nos em desequilíbrio. Ser santo significa harmonia toda: estar de bem consigo, com o corpo, com os outros, com o mundo, com a natureza, com Deus (tradicionalmente, dizia-se estar na graça de Deus). Assim, quem despreza o mundo não é santo. O desequilíbrio é o contrário da santidade, que consiste precisamente na plenitude harmónica e expansiva.

Aí está a razão por que ninguém pode ser santo sozinho. O santo luta pela justiça e pela dignidade de todos, para que todos possam realizar plenamente a sua humanidade, que tem dignidade divina. A dignidade e a verdade também pertencem ao núcleo do que se chama santo.

 

Anselmo Borges

 

NR

1.Sublinhados nossos.

 

2.Há quanto tempo esperava por estas palavras. Não como uma receita mas como a prova provada de que, também aqui, a única dificuldade está na simplicidade que se nos exige para tornar simples as coisas do quotidiano que fomos educados para complicar.

Às vezes, comento com alguém que Deus nos dotou com um livro de instruções perfeitíssimo onde tudo está previsto mas, séculos de história, para não dizer milénios, fizeram com que complicássemos, tornássemos difícil aquilo que, afinal, na sua essência é simples.

 

É isso,trata-se de investir em varrer das nossas condicionadas mentes tudo quanto nos impede de desfrutar, sem complexos, sem "medos" esta "harmonia toda: estar bem consigo, com o corpo, com os outros, com o mundo, com a natureza, com Deus!"

 

É claro que " ninguém pode ser santo sozinho. O santo luta pela justiça e pela dignidade de todos, para que todos possam realizar plenamente a sua humanidade, que tem dignidade divina. A dignidade e a verdade também pertencem ao núcleo do que se chama santo".

 

Obrigado, Santo Anselmo, sim, porque nos convoca para partilhar algo que não diz respeito a eleitos ou predestinados, antes, quer traçar connosco, o Destino dos dias. Do Dia!

antónio colaço

 



publicado por animo às 17:48
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