Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010
A PENA DE D.DINIS

 

D. DINIS CEDE A PENA / AFONSO III A MANGUEIRA

 

Não pensem que sou um veraneante sortudo nestes fictícios oásis encaixilhados entre cafés e restaurantes, ruas e ruelas, bares e discotecas sonoras e estridentes, arvoredos e sebes domadas, raquíticos e ressequidos jardins e quintais; um desbragado, um mau carácter, um destemido marginal, um arruaceiro sem carroça e sem escrúpulos, um mal-dicente ou mal docente, trovador ou fingido jogral medieval ou peregrino disfarçado de santo acompanhado de belas, elegantíssimas, desfiguradas flores margaridas e jogralesas ou alguém a quem a mãe ou pai não se esmerou em amar e educar com métodos não ligths, mas com uma pedagogia pragmática e hoje pouco objecto de estudo dos nossos mestrandos e doutorandos da praça ou então um foragido do Hospital Psiquiátrico de S. João de Deus em Barcelos, onde felizmente eu e um grupo de grandes rapazes (entre os quais o editor, diga-se), hercúleos e goleadores uns e outros cuja carne pouco embeleza os ossos, de vez em quando iam voluntariamente lá parar, mas no bom sentido… Para quê? Isso é o que gostariam de saber, mas não sejam curiosos, amigos. Ou talvez alguém que foi abandonado por falta de carinho ou afecto ou outros motivos e afazeres inconciliáveis. Nada disso, meus caros senhores e senhoras. Também eu tive pai e mãe, muito queridos e amados e não pensem que sou uma abelha voadora tão azafamada que só pensa no mel da colmeia ou do cortiço.

E como gosto de sonhar, felizmente ainda sonho de vez em quando e digo-vos que tenho tido uns belos sonhos, não aqueles que vós sonhais e que eu amiúde também sonho, não o nego, ó narciso, mas aqueles que só eu sonho, tão bonitos, matizados e coloridos de azul, alguns…Mas, afinal, já se decretou que é proibido sonhar em Portugal? Querem saber um pouco dos meus sonhos? Tenham calma, pois “ o sonho é uma constante da vida, tão concreta e definida como outra coisa qualquer”. Claro que comanda a vida, já o dizia o nosso querido António Gedeão/Rómulo de Carvalho de boa memória, mas “ Eles não sabem, nem sonham…que sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança.” in “ Movimento Perpétuo”, 1956, António Gedeão.

Mas, não quero desviar-me do assunto.

D. Dinis, intitulado pela história, mas que história…de lavrador e poeta, sei lá eu alguma coisa de interessante deste filho de rei, não entendo a história contada nesses livros tão eruditos e rebuscados dos nossos intelectuais e historiadores e hoje, alguns, pseudo-lavradores abastados e pouco laboriosos, destemidos economicamente e ornados de herdades desertas, tórridas e ressequidas pelo tempo e dizem que são oásis de descanso para relaxar do quotidiano intenso e cosmopolita.

Bom, este D. Dinis, sonhador inveterado e visionário, muito atento à problemática surgida inesperadamente nos Algarves, nestes últimos tempos (veja-se os problemas causados pela torneira de D. Afonso Henriques) sugere para a resolução da grave situação uma simples pena, a sua pena, já gasta de tanto escrever cantigas de amigo e de amor às damas fermosas da corte e tanto alertar o reino para a instabilidade criada com a famigerada torneira misteriosa. Ele próprio, no dizer de Fernando Pessoa, “o plantador de naus a haver”, homem pacífico e determinado a contribuir para a resolução de tão elevado conflito, colocando de imediato todos os seus ministros, secretários, assessores e tropas de elite ao serviço do reino de Portugal. Tal decisão, tomada em reunião magna e unânime da corte, deveu-se ao facto de não querer perturbar o sossego e bem-estar dos deputados da Nação. Grande homem e grande rei, diz o povo!

Mas, afinal, para que serve a pena do rei? Nada mais nada menos que para escrever direito por linhas tortas. Servirá também para esboçar em papiro egípcio uma mangueira que torneada em moldes modernos servirá para se adequar à dita torneira de Afonso Henriques e desenhar outras mangueiras e outras armas, se tais forem necessárias, no futuro.

Afonso III agradece tal colaboração do parente e desta feita já se poderá apagar algum fogo.

Os engenheiros do reino, contentes e animados, preparam-se então para a grande aventura e obra de engenharia. Colocar a preciosa mangueira na preciosa torneira sem que esta verta água, pois não se pode desperdiçar uma gota deste bem tão precioso e carente nos Algarves. Todos os aquedutos entupidos e em ruínas, mal desenhados e saneados serão rapidamente implusivos e nesse local colocar-se-á a tão desejada mangueira de Afonso III.

Concluída tal obra inovadora, esperemos que os conflitos e discussões amenizem e a paz e a concórdia regressem a essas terras tão carentes de fontes e ribeiras e da fonte de vida.

 

A ver vamos! E, esta hein!

Joaquim Afonso



publicado por animo às 17:04
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