Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010
OS GLADIADORES

 

OS GLADIADORES

ou a metáfora do império romano hodierno  (renascente - ascendente –descendente)

 

Sim! TODOS NÓS! E, tu concretamente, vais ter a paciência de me ler e tentar compreender, se quiseres, claro está, pois tenho lido graciosamente as tuas mensagens apelativas e naturalistas e tenho ainda a dizer-te que a paciência não tem limites para as tuas usuais mensagens. Espera, não te apoquentes, sê estóico e benevolento com estes terráqueos, cuja evolução não foi tão famigerada e uniforme como o seu criador, dado que a maturação do ser depende de factores intrínsecos e extrínsecos, alheios e inconscientes. ESTA AFIRMAÇÃO CATEGÓRICA não prima infelizmente pela originalidade, mas GENERICAMENTE E DE ACORDO COM O SENSO COMUM MAIS elementar, ALHEADO OU NÃO DO MUNDO CIRCUNDANTE e nós inocentes e sortudos TERRÁQUEOS, temporários aventureiros de heroísmo concebido na profundidade das conchas e nas originais, mas ostensivas E narcísicas falésias marítimas, desprovidas de escoras e ancoras profundas, dito e reiterado por lentes conceituados de renome mundial, o fruto mais amadurecido da evolução lamartinIANa e daruinista, sapientes GLADIADORES,  exímios artífices no engenho, arte de obrar e manejar INSTRUMENTOS E ARMAS DIFERENCIADaS e TENDO CONSCIENCIA OU NÃO, INTUITIVA OU REFLEXIVA E TAMBÉM CAPACITADOS PARA OBSTRUIR AS TÉCNICAS MAIS sofisticadas e  MODERNAS dos incautos, OBSCURAS OU MIRABOLANTES, HEDIONDAS OU FINGIDAS, INÁUDITAS ou PRETENSAMENTE SUBREPTÍCIAS DOS NOSSOS REAIS OU PSEUDO ADVERSÁRIOS, CONSTANTE e ciclicamente postas à prova “ in cotidie”, mas confrontos, claro está, pacíficos e ordeiros de cariz  INSTINTIVo /emocional ou racional, diga-se, e até  de índole mais diverssificada, mas sempre provas de capacidades várias, no longo processo  de existência e auto-afirmação, enfim, uma palma de bem ostentar os segredos  DA ARTE  e de   gladiar EM TODA A SELA.

VEM ISTO A PROPÓSITO  ou a despropósito DA MINHA HUMILDE E singela VARANDA DE FÉRIAS, VULGO MINI-TERRAÇO ALGARVIO, COM ALGUMA VISTA PARA A IMENSIDÃO DO OCEANO, povoado de gaivotas mil e outros adereços sazonais próprios do tempo estival, mas LEVEMENTE MENOS AZULADO E TRANSPArENTE QUE NO PASSADO, não porque  A VISÃO daltónicA precoce do OLHAR seja impeditiva DE MAIS, mas porque a originalidade está domesticada e adulterada. MAS ENGANEM-SE, NÃO É HOTEL de roteiros turísticos nacionais ou internacionais DE RENOME, NEM MOTEL secreto e apetecível DA NOSSA PRAÇA TURÍSTICA ÁVIDA DE GLADIADORES DESTEMIDOS E OPIPERAMENTE BEM NUTRIDOS FÍSICA E ECONOMICAMENTE. TRATA-SE, ANTES SIM, DE UM OLHAR SINGULAR SOBRE UMA SUPERFÍCIE TERRÁQUEA ADJACENTE E COMO TERRÁQUEO  MINIMAMENTE CONSCIENTE OU SIMI-CONSCIENTE (PASSE A PRESUNÇÃO), DE UMA ESQUINA muito VULGAR A QUE O INCAUTO CIRCUNDANTE TERRÁQUEO EM FÉRIAS,  indiferente e DIVIDIDO  entre O BERÇO pátrio e o aquém DO LAZER IMEDIATO, NÃO TEM O PRIVILÉGIO DE USUFRUIR, NEM SONHAR O que MEU OLHAR,  já PRECOCIENTEMENTE ancião de miopia E BASTANTE DESTEMPERADO pelo sol e pela ventania poeirenta e inesperada e TAMBÉM demasiado AQUECIDO PELA ATMOSFERA MEDITERRÂNICA SUBÚRBIA, BULIÇOSA E noctívaga.

 

ENTÃO, NÃO É QUE DE UM LADO, AQUI MESMO EM FRENTE À superfície DO MEU TERRAÇO, MAS EM PLANO INFERIOR, DEPARO COM UMA SÉRIE DE GLADIADORES MUITO matutinos, LEVEMENTE BARBADOS E COLORIDOS, OBREIROS AZAFAMADOS, PRÉ-ORIENTADOS OU NÃO, FAZENDO LEMBRAR UMA COLMEIA ou  um cortiço de melaço EM QUE O OLHAR INCAUTO NÃO CONSEGUE DESCORTINAR “A CHEFE”, DIGO O CHEFE, FUNCIONANDO TUDO EM PLENA HARMONIA.  Mas, não são abelhas nem vespas, meus senhores, são seres MUITO HUMANOS, que DESUMANIZADOS ALGURES E debaixo do calor tórrido e encapacetados torcem, cortam o ferro e moldam o cimento, obreiros sim, mas não como os abelhões. Seus gestos, alguns agressivos e teatrais e os passos ritmados, sabe-se lá o que os move, pois o tempo urge e a gestação do empório não pode ser interrompida, o futuro o exige. Mas, que futuro…

ESTES GLADIADORES SÃO EXTRAORDINÁRIOS NA SUA APROXIMAÇÃO E PERSUASÃO. ATE PRIMAM PELO POLIGLOTISMO, DOGMATISMO, CONSERVADORISMO E PROGRESSISMO E PORQUE NÃO DIZE-LO, UM CERTO MISTICISMO NATURALISTA.

Mas, afinal, quem são as forças que se degladiam? Quem são os verdadeiros degladiadores DA ACTUALIDADE? QUEM OS MOVE E O QUE O FAZ MOVER? E a ti, gladiador-mor, DIZ-ME o que te move, então?

Naturalmente, as mesmas causas, mas com  metodologias diferentes.

Afinal, quem são os gladiadores?

Gladia-se o esmaelita e o cristão, o papa e os cardeais, o vaticano e a cristandade, o bispo e o clero, o pároco e os paroquianos, o franciscano e o capuchinho, o cartaginês e o romano, Caim e Abel, Adão e Eva, deus e o diabo, o autarca e os munícipes, o ministério e a ministra, o assessor e os assessorados, o judeu e o cristão, o comerciante e o comprador, a luz e as trevas, o terráqueo e o lunático, o aldeão e o citadino, o irmão sol e a irmã lua, o irmã clara e sobretudo, tu, meu bom Francisco e hoje do tamanho do mundo que não é o sonhado teu, o grande e o pequeno, o vivo e o morto, o ilhéu e o continental, o gigante e o Golias, o caracol e a caracoleta, a cigarra e a formiga, o pai e a mãe, o namorado e namorada, o patrão e o empregado, o analfabeto e o letrado, o juiz e o réu, o grego e o troiano, o ps e o psd, o avô e o neto, o caloteiro e o calote, o sem terra e o proprietário, o norte e o sul, o porto e o Benfica, o mar e a terra, o português e o …, o cão e o gato, a pinha e o pinhão, o mar e o rio, a candeia e a vela, o azeite e o vinagre, a luz e as trevas, ligeiro e o pesado, o marido e a mulher, o exercito e a marinha, o estudante e o professor, o rico e o pobre, o santo e o pecador, o frio e o calor, o petróleo e a eólica, o pólo norte e o pólo sul, o mal e o bem, o planalto  e planície, a fome e a sede, o preto e o branco, o oriente e o ocidente, a  faca e o garfo, o cão e a cadela, o boi e a vaca, a cabeça e o chapéu. Enfim, todo o reino animal, vegetal, racional e outros… Mas… tenham paciência… estou de férias…respeitosos senhores.

Não vos canso mais, veraneantes exaustos, obreiros gladiadores e merecedores de tão relaxantes férias… pois são tão numerosos e incontáveis os gladiadores das arenas hodiernas, que como as areias do deserto ou das praias sanchechinas e lanzerotianas é impossível vislumbrar e contabilizar adequadamente.

Deixo-vos um exemplo clássico para não pensarem que brinco seriamente convosco e cito: “

 

 

Olhai, peixes, lá do mar para a terra. Não, não: não é isso o que vos digo. Vós virais os olhos para os matos e para o sertão? Para cá, para cá; para a cidade é que haveis de olhar. Cuidais que só os Tapuias se comem uns aos outros? Muito maior açougue é o de cá, muito mais se comem os Brancos. Vedes vós todo aquele bulir, vedes todo aquele andar, vedes aquele concorrer às praças e cruzar as ruas; vedes aquele subir e descer as calçadas, vedes aquele entrar e sair sem quietação nem sossego? Pois tudo aquilo é andarem buscando os homens como hão-de comer e como se hão-de comer. Morreu algum deles, vereis logo tantos sobre o miserável a despedaçá-lo e comê-lo. Comem-no os herdeiros, comem-no os testamenteiros, comem-no os legatários, comem-no os credores; comem-no os oficiais dos órfãos e os dos defuntos e ausentes; come-o o médico, que o curou ou ajudou a morrer; come-o o sangrador que lhe tirou o sangue; come-a a mesma mulher, que de má vontade lhe dá para a mortalha o lençol mais velho da casa; come-o o que lhe abre a cova, o que lhe tange os sinos, e os que, cantando, o levam a enterrar; enfim, ainda o pobre defunto o não comeu a terra, e já o tem comido toda a terra.

 

Talvez as estrelas do céu sejam mais brilhantes que o azul profundo dos oceanos, quão alheias estão aos caprichos inteligentes dos terráqueos.

 

 

 

Joaquim Afonso

 



publicado por animo às 11:07
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