Domingo, 15 de Janeiro de 2012
SESSENTA

 

No momento em que esta crónica sai para as bancas,cumpriram-se os meus 60 anos de vida.

Escrevo como quem esconjura.

Como quem bate o pé.

Recuso-me a envelhecer.

Fazer 60 anos é só para os outros.

Eu quero continuar a ter 6 meses.Quiçá 6 anos.Ou mesmo,de preferência, 16 anos.

Agora s-e-s-s-e-n-t-a?!

Não, não me passa pela cabeça, santa paciência.

E no entanto, é essa aidade que o meu BI, certeiro, sem tirar nem pôr, regista.

2

Nunca conheci nenhum avô e, no entanto, afortunadamente, tenho-o aqui à minha frente. Se fosse vivo, como eu, teria feito no dia 23 deste mês de Janeiro,128 anos.

Capricorniano como eu. Nascido, portanto, em 1884.

Eu acho que o meu avô havia de gostar de me ter conhecido, tanto como eu de conhecer, finalmente, o meu primeiro neto. Mas tive, em contrapartida, a felicidade de conhecer a minha querida e única Avô, Maria dos Remédios. Soube, mais tarde, porque me dedicou um carinho especial e que esta foto documenta: o puto que está a meio da fotografia e a quem o meu Avô dá a mão num abandono de total confiança, era loirinho.Veio a ficar no fundo de uma charca, perto da casa do Largo do Espírito Santo, na sequência das despreocupadas brincadeiras dos putos. Passei por lá muitas vezes e sempre esse facto me era apontado com redobrada preocupação.

3

Entre estas duas imagens, cumprem-se cinco gerações.

Dentro de outras tantas, os que vierem a seguir poderão recorrer aos arquivos do VMT e confirmarão, entre risos:olha, o nosso bisavô António, o tal que não queria envelhecer?!

4

Meu querido Francisco, cujo rosto, ainda que parcial, revelo, finalmente: é claro que aceito os meus 60 e que bendigo a hora de poder embalar o teu sono, para que possas crescer em sabedoria e, um dia, nos teus 6 anos, ou, quem sabe, aos 16, percebas que fazer anos não custa nada.É por isso que fazer 60 anos a pensar como seria bom rebobinar o tempo para os 6 meses, 6 anos ou 16 anos só acrescentaria angústia e seria evidente sinal de quem ainda não percebeu o que ainda aqui a fazer.

Fazer 60 como quem pensa nos 70, 80, 90, 100, por que não, é que é de homem!!!!

Sim, não são os anos que nos fazem, somos nós que fazemos o que quisermos dos anos que nos são colocados à disposição para que os desfrutemos.

 

PS

(Crónica enviada para o mensário Voz da Minha Terra,Mação, mas que hoje, com o devido agradecimento, aqui antecipo!Obrigado.)

antónio colaço

 

 



publicado por animo às 01:31
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