Terça-feira, 28 de Outubro de 2008
Vésperas


Sabes como me apetecia o aconchego e o silêncio que uma qualquer das nossas muitas capelas conventuais possibilitaria e, no entanto, Senhor, como quero, cada vez mais, descobrir-te no ruído da rua, no desencontro das vontades, nos pequenos egoísmos que magoam,e, no entanto, quanta deriva, quanta incerteza, quanta dúvida, se eu ou eles é que verdadeiramente estão contigo, do teu lado, ao Teu encontro, sendo que não os sentindo comigo julgo ver nisso uma distinção que não me confirmas...

Diz-me de que é feita a tua Voz, ajuda-me a desatar estes nós e, no entanto, sinto-Te, não estamos sós....

ac


publicado por animo às 19:41
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Lopes Morgado tira o Chapéu a Armando Pinto
 


Frei Lopes Morgado


 


 


 


Meu caro Armando Pinto,


 


acabo de ler o teu [também posso, por TU?] belo testemunho,


em que, além do mais, abres o baú dos registos da tua passagem


pelo nosso Seminário de Gondomar. Já não me apanhaste lá, pois


só lá estive como professor de 1961 a 1965 (fui ainda como diácono,


com 22 anos e meio, tendo sido ordenado quando lá estava, em 6 de


Agosto de 1962) ano em que fui dirigir a revista Bíblica em Lisboa...


 


Nem imaginas como a lista do enxoval mexeu cá dentro... Olha,


no meu tempo ainda levávamos camisas de dormir (as minhas


irmãs muito se riram, quando leram a lista!); e os fatos, as gravatas,


as meias e o chapéu (!!!) eram pretos. Como gostaria hoje de me rir


de mim assim vestido, com chapéu preto na cabeça, aos 11 anos!


 


 


NR_Aqui vai a estreia do You Tube no IS.Para animar.



 


Claro, não fazia sentido continuar com isso, tanto mais que nos


esperava vestir um hábito castanho a partir do Noviciado... Por isso,


no papel enviado ao teu pai, o padre Vítor emendou à mão "de cor"


onde dizia "preto". Os tempos já eram BEM outros...


 


Mas eu só vinha para responder à TUA SUGESTÃO final,


de informarmos acerca dos padres da nossa Província...


Uma vez que dizes ter o livro sobre Gondomar, sugiro que vejas nas pp.


142-143 a lista dos frades (padres ou não) que estiveram em Gondomar e


que entretanto faleceram ou saíram da Ordem. Só falta lá um, por esquecimento:


o frei Júlio Loureiro, da minha terra (Areias de Vilar - Barcelos), que até lá


foi ordenado mas saiu por doença e foi integrado no clero da arquidiocese de Braga,


sendo actualmente pároco em três freguesias do concelho de Barcelos.


Embora não fale de todos, nem da data da sua entrada no Seminário, aparece


o seu nome de baptismo e de profissão (os que ainda mudaram o nome) e


fala certamente daqueles que terás conhecido e estiveram mais ligados à tua


passagem pela nossa vida. Concretamente, dos que surgem nestes documentos.


 


Para saber mesmo de todos, só o livro


 


      OS CAPUCHINHOS EM PORTUGAL


                  (1939-1989)


      memória de um cinquentenário


 


escrito pelos padres Francisco Leite de Faria (da Academia Portuguesa da História,


já falecido) e Fernando de Negreiros (muitos anos Secretário e Ecónomo Provincial,


bem como um dos primeiros directores da revista BÍBLICA).


Terei muito gosto em oferecer-to, se disseres a morada.


Um abraço do


 


frei Lopes Morgado 



 



 


NR - O escriba de serviço não resiste a meter aqui uma colherada. Nesta foto muito antiga de Cardigos, freguesia do concelho de Mação, na rua à direita, existia a loja do Sr. Joaquim Mata. Foi lá que minha querida e saudosa Mãezinha terá adquirido parte das peças do meu "enxoval" com a ajuda de mão amiga, algures, muito longe dali, respondendo, assim, aos meus insistentes pedidos de querer ir para o seminário, "nem que fosse preciso pedir de porta em porta", nomeadamente, para arranjar ... o enxoval. Não saberia ainda, como nenhum de nós, que , para além do Nº do BI, de Contribuinte, da tropa, etc, 406 seria o nº que ela bordaria nas muitas peças de roupa com que vestiríamos a nossa vontade de sermos padres...


ac 



publicado por animo às 18:21
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Leitura/Mais espiritualidade menos stress


É uma notícia da Lusa acabada de chegar. Dá para reflectir. Ou, de como por aqui, onde, só, aparentemente, parece que o que nos une é o passado, aqui estamos, com esta e outras leituras, a demonstrar que, sem o temer, sem o esquecer,  ele jamais nos impedirá o alcance do presente que nos cabe viver. Comentários, venham eles!

ac

Penafiel, 28 de Out (Lusa) - As sociedades actuais estão a transformar-se num “grande manicómio global” tão grande vai ser, no futuro, o número de pessoas afectadas por doenças do foro psíquico, defende o psiquiatra e investigador brasileiro Augusto Cury.

    “O mundo vai ser um grande hospital psiquiátrico. As doenças vão aumentar, não tenho dúvida nenhuma”, disse, em entrevista à Lusa, após uma conferência que realizou em Penafiel.

    O psiquiatra tem-se notabilizado internacionalmente por estudar os temas relacionados com os processos de construção do pensamento, com a inteligência humana e com o funcionamento da mente.

    Em Portugal, Augusto Cury celebrizou-se com a publicação dos livros “Filhos Brilhantes, alunos fascinantes” e “Pais brilhantes, professores fascinantes”, considerados “best-sellers” dado o elevado número de exemplares já vendidos.

    “O modelo de sociedade actual transformou-se numa fábrica de pessoas stressadas e ansiosas”, que apresentam sintomas como a irritabilidade, a impaciência, a intolerância e pensamentos antecipatórios”, explicou.

    Para o investigador, não espanta que um número crescente de pessoas tenha dores de cabeça e musculares, queda de cabelo, fadiga, défice de concentração e défice de memória, sintomas que, sublinha, decorrem muitas vezes do modo de vida agitado que têm.

    “O normal é ter essa sintomatologia, o anormal é ser tranquilo, sereno, trocar experiências de vida com as pessoas que nos rodeiam, não ter medo das nossas lágrimas diante dos nossos filhos, não ter medo dos nossos fracassos, não ter medo de falar deles diante dos nossos alunos”, disse.

    Augusto Cury considera que a situação se agravou nas últimas décadas, marcadas pela globalização da economia, mas também a globalização da informação, que conduz àquilo que diz ser o “Síndrome do Pensamento Acelerado”.

    “No passado, o número de informações dobrava a cada 200 anos, hoje dobra a cada cinco anos e vai dobrar a cada ano na próxima década. O excesso de informações é registado no córtex cerebral pelo fenómeno RAM - Registo Automático da Memória - e tem produzido uma nova síndrome, que eu tive a felicidade de descobrir, que é saber que grande parte da população mundial, das crianças aos adultos, é acometido por ela. Chama-se Síndrome do Pensamento Acelerado, que é uma agitação mental, uma inquietação mental e um défice de concentração mental”, explicou à Lusa.

    Segundo o psiquiatra, as pessoas são hoje mais inseguras do que eram no passado, “mas o verniz demonstra que elas são falsamente seguras”: “Elas vendem a imagem de que está tudo bem, vendem a imagem de que a sua vida não tem conflitos, mas, por dentro, estão chorando”.

    Augusto Cury insiste em que “a sociedade moderna tomou o caminho errado”, porque as pessoas têm cada vez mais uma vida exteriorizada e não sabem “desenvolver a arte da introspecção, da observação, da capacidade de pensar antes de agir, de se colocar no lugar dos outros”.

    O psiquiatra diz que as pessoas conseguirão um maior equilíbrio emocional “se derem ao outro sem esperar demais o retorno, se entenderem que uma pessoa que fere é uma pessoa ferida e se nunca exigirem dos outros o que os outros não podem dar".

    Augusto Cury alerta também para os perigos de hierarquização dos alunos nas salas de aula, que pode gerar traumas que se perpetuam para a vida toda.

    “A hierarquia intelectual bloqueia a espontaneidade, o debate de ideias e o trabalho de equipa. Parece incrível, mas no mundo todo a escola, que deveria ser promotora da inteligência da arte de pensar, tem gerado bloqueios psicológicos e traumas”.

    O psiquiatra aconselha os professores a estimular os seus alunos, sentando-os em forma de U ou em círculo, “para que olhem nos olhos uns dos outros e desacelerem os pensamentos, diminuindo a intensidade da síndrome do pensamento acelerado, ao mesmo tempo que “melhoram a concentração e o rendimento intelectual”.

    O investigador, que tem obras publicadas em mais de meia centena de países, apresentou em Penafiel, o livro “O Código da Inteligência - Formação de Mentes Brilhantes”., onde propõe uma nova teoria sobre a inteligência humana, afirmando-a como “o caminho para melhorar o potencial de cada um, abarcando de forma interdisciplinar as áreas da psicologia, do intelecto, da emoção e da espiritualidade”.

    O psiquiatra aponta no seu novo livro “doze leis fundamentais” para as pessoas mudarem a sua qualidade de vida, propondo “um caminho menos agitado e stressante” e um diálogo permanente com o eu”.




publicado por animo às 17:09
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Meu caro Armando Pinto,


 


acabo de ler o teu ( também posso, por TU?) belo testemunho,


em que, além do mais, abres o baú dos registos da tua passagem


pelo nosso Seminário de Gondomar. Já não me apanhaste lá, pois


só lá estive como professor de 1961 a 1965 (fui ainda como diácono,


com 22 anos e meio, tendo sido ordenado quando lá estava, em 6 de


Agosto de 1962) ano em que fui dirigir a revista Bíblica em Lisboa...


 


Nem imaginas como a lista do enxoval mexeu cá dentro... Olha,


no meu tempo ainda levávamos camisas de dormir (as minhas


irmãs muito se riram, quando leram a lista!); e os fatos, as gravatas,


as meias e o chapéu (!!!) eram pretos. Como gostaria hoje de me rir


de mim assim vestido, com chapéu preto na cabeça, aos 11 anos!



Claro, não fazia sentido continuar com isso, tanto mais que nos


esperava vestir um hábito castanho a partir do Noviciado... Por isso,


no papel enviado ao teu pai, o padre Vítor emendou à mão "de cor"


onde dizia "preto". Os tempos já eram BEM outros...


 


Mas eu só vinha para responder à TUA SUGESTÃO final,


de informarmos acerca dos padres da nossa Província...


Uma vez que dizes ter o livro sobre Gondomar, sugiro que vejas nas pp.


142-143 a lista dos frades (padres ou não) que estiveram em Gondomar e


que entretanto faleceram ou saíram da Ordem. Só falta lá um, por esquecimento:


o frei Júlio Loureiro, da minha terra (Areias de Vilar - Barcelos), que até lá


foi ordenado mas saiu por doença e foi integrado no clero da arquidiocese de Braga,


sendo actualmente pároco em três freguesias do concelho de Barcelos.


Embora não fale de todos, nem da data da sua entrada no Seminário, aparece


o seu nome de baptismo e de profissão (os que ainda mudaram o nome) e


fala certamente daqueles que terás conhecido e estiveram mais ligados à tua


passagem pela nossa vida. Concretamente, dos que surgem nestes documentos.


 


Para saber mesmo de todos, só o livro


      OS CAPUCHINHOS EM PORTUGAL


                  (1939-1989)


      memória de um cinquentenário


escrito pelos padres Francisco Leite de Faria (da Academia Portuguesa da História,


já falecido) e Fernando de Negreiros (muitos anos Secretário e Ecónomo Provincial,


bem como um dos primeiros directores da revista BÍBLICA).


Terei muito gosto em oferecer-to, se disseres a morada.


Um abraço do


frei Lopes Morgado 


 



publicado por animo às 14:53
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Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008
PERTO DO PRINCÍPIO

UM GRANDE MOMENTO EDITORIAL


Não posso deixar de começar por agradecer ao Armando Pinto o grande momento editorial que nos proporciona com a disponibilização do seu acervo documental .(Armando, esquece lá o teu 9 a Música, mas, hoje, és tu quem nos dás um grande baile. O baile de como tudo isto pode ser tão enriquecedor!).


E nem sequer quero demorar muito tempo, para não perturbar a leitura que cada um, no mais íntimo de si,vai fazer do seu enxoval, da sua família sem casos de loucura e da inexistência, em si, de notável deformação corporal, apenas convocando toda a compaixão e compreensão para as condições em que a história nos apanhou no dobrar do século que nos coube viver, na linha de um texto aqui publicado, há dias.Ou seja, devemos saber que se não podemos mudar o passado, podemos, isso sim, mudar a forma como olhamos para ele.Eu quero olhar para ele com toda a ternura deste mundo.


Façam chegar as vossas leituras. Sigam o exemplo do Armando.Toca a subir aos tantos sótãos onde jazem, tão sós, abandonados, cheios de mil pós, os documentos que nos podem ajudar a dar a volta aos tantos passados. Tudo  porque aqui estamos, vivos, desempoeirados.Bem presentes no nosso presente!


Obrigado, bom Deus, por este momento de oração.É, assim, que, hoje, fazemos desta carta as Vésperas que Te dedicamos.


ac


ARMANDO PINTO,OUTRA VEZ!


 


Amigo Colaço e Equipa do blog Irmão Sol.


Partilha.


Cá volto eu, a este lugar de (re)Encontro, enquanto não aparecem mais… e outros possam ganhar ânimo.


A propósito, eu conheci este blog por mero acaso, numa deambulação no Google. Em tempos tinha descoberto locais do género de antigos alunos de outras Ordens e há muito que pesquisava com esperança de possível aparecimento de algo nosso… Por isso, em virtude de muita gente ainda nem sonhar com esta existência, em especial dos que nunca foram fisicamente aos encontros de convívio, como eu aliás, julgo (como o Agostinho Vaz já sugeriu também) que deveria ser enviada uma carta a todos, a dar notícia do blog, como fazem na convocatória anual para a realização do Encontro.


(NR-Atenção, dirigentes da AAAC!).


Já adquiri o livro dos 50 Anos dos Capuchinhos em Gondomar, que me tocou profundamente. E tive a grata surpresa de ver que o autor é o Frei Albino, anteriormente chamado pelo nome com que professou, Padre Donato de Ourém. Ora o Pe Donato foi quem esteve ligado ao meu conhecimento sobre os Capuchinhos e teve directa responsabilidade na minha ida para o Seminário. Ele veio à minha paróquia, a S. Tiago de Rande (concelho de Felgueiras – diocese do Porto) como “pregador” para a festa paroquial do Padroeiro e da Comunhão Solene, em 1964, aquando da minha Comunhão e Profissão de Fé. Ele então aproveitou para fazer uma captação de possíveis vocações, tendo-se logo inscrito algumas crianças, das quais, no entanto, nesse ano, apenas, o meu primo Rosário chegou a ir para o Seminário e depois (porque, sendo mais novo um ano, só em 65 terminei a escola primária), no ano seguinte fui eu… até que, volvido um ano mais, o meu irmão me seguiu as pisadas.


Já passaram tantos anos, que as imagens se diluem e confundem na retina e no subconsciente. Não adiantando considerações, que o tempo varreu. Interessando o presente, mas sem esquecer o passado, como vou mostrar a seguir.


Assim, depois de há dias ter enviado aquele texto e respectivas fotos de enquadramento, envio, desta feita, imagens de algumas “papeladas” das minhas recordações, que guardo, religiosamente, do que retive, como do que meu pai guardou e eu preservo, por minha vez. De cuja colecção dou aqui três exemplos, do que possuo.


Em primeiro lugar:


  Carta, dirigida a meu pai, assinada pelo Padre Vitor de Oleiros – que me recebeu e foi o meu 1º Director – missiva essa que fala por si:



 





A seguir, desdobrável com as disposições para a entrada, contendo rol do enxoval:




 

 

 

 










Uma das comunicações de notas e da conta a pagar (com assinatura do meu 2º e último director, P.e Fernando Pereira):




 



 








 




 







Alguém que diga mais alguma coisa, de sua justiça.


Por que não, através de quem tenha acesso à biblioteca e arquivo, também  fazer-se com que apareçam aqui imagens e transcrições de recordações da antiga revista do Seminário de Gondomar ( “Jardim seráfico”, onde eu, ao que me recordo, também colaborei em 1967 e 68, salvo erro), bem como dos tomos das memórias da ordem, fotos dos álbuns, etc. etc. Sem esquecer colaborações pessoais de todos os nossos antigos companheiros, obviamente.


SUGESTÃO FINAL


Já agora, para que todos continuemos irmanados e inteirados em tudo, por que não, sugeria que alguém desse ainda uma panorâmica da situação actual de todos os membros da ordem, ou seja os senhores Padres que ainda estão vivos (com indicação do ano de entrada no Seminário, para melhor identificação), os que entretanto se desligaram, por qualquer motivo (matéria que nunca deve ser olvidada, sem falsos pudores) e os já falecidos. Em todos os casos com os nomes de baptismo e profissão, por motivos óbvios.


Até sempre.




Armando Pinto




 





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VÉSPERAS/MATINAS
(Por dificuldades de edição, aqui ficam as Vésperas de ontem.São as Matinas de hoje.Mais um belíssimo texto de Frei Bento Domingos, no Público, de ontem, Domingo.Alguém quer adiantar comentários?)

ac



Mação, entardecer de Domingo.


Espiritualidade do provisório
26/10/2008    Frei Bento Domingues, O.P.


 
As instituições e as leis das Igrejas só têm sentido como instrucções e recursos de viagem


1.Nos anos incendiados pelo Maio de 68, quando todos os fundamentos pareciam abalados, interessei-me pela "dinâmica do provisório" do irmão Roger Schutz, da célebre comunidade de Taizé. Com ar de troça, um amigo dizia: mas esse irmão Roger não saberá que, em Portugal, há cigarros Provisórios e Definitivos? Os definitivos não tiveram mais sorte do que os provisórios.
Pelo contrário, na Igreja católica, nos finais dos anos 80 do século passado, até algumas proposições que pareciam provisórias - não são dogmas de fé - passaram a ter estatuto de "verdades definitivas".
Não pretendo, como Qohélet, render-me à lei do provisório - ilusão das ilusões, tudo é ilusão: "Há tempo para nascer, tempo para morrer; tempo para plantar, tempo para arrancar o plantado" (Ecl 3,2). No entanto, para S. Paulo, só a caridade, o mais alto dom do Espírito (agapé) - o amor irrestrito e incondicional ao próximo - é para sempre: Ainda que eu tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse amor, eu nada seria. Ainda que distribuísse todos os meus bens e entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse amor, isso nada me adiantaria. (...) O amor jamais passará. (...) Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor, mas a maior delas, porém, é o amor (1 Cor 13, 2-13). A fé e a esperança são, apenas, virtudes do caminho.
Tomás de Aquino (1224/1225-1274), num outro contexto cultural, dirá que a lei do Novo Testamento consiste principalmente na graça do Espírito Santo, graça do amor e da liberdade. Tudo o resto conta na medida em que prepara o seu acolhimento, favorece e exprime a sua floração e os seus frutos (ST, M, q. 106, a.1).

2.Seria, porém, temerário desprezar a Igreja como instituição em nome da pureza do Evangelho de Cristo, esquecendo que o Verbo se fez "carne", fragilidade humana. O Evangelho da fraternidade precisa da instituição para que a sua energia não se dissolva. Importa, no entanto, que as instituições e as leis das Igrejas não se tornem um objectivo ou um fim. Só têm sentido como instrucções e recursos de viagem. Christian Duquoc escreveu, precisamente, uma obra de eclesiologia ecuménica sobre o carácter provisório das Igrejas (1). A sua tese, embora subtil, é simples. A Igreja de Cristo afirma-se na multiplicidade das Igrejas, mas elas não devem seguir a tendência para a exclusão, lei natural dos grupos. Nenhuma deve estar tão imersa no profano a ponto de já não se diferenciar dele; nenhuma deve assumir o profano com a ilusão de o transubstanciar. A visibilidade das Igrejas não é a antecipação do Reino de Deus: nem na forma de celebrar, nem na vida social, nem no valor espiritual. Essa visibilidade serve para afirmar uma ordem simbólica, abrindo o quotidiano a uma dimensão de gratuitidade e de comunhão, traço de Deus em Cristo. O modelo das Igrejas cristãs deve ser o acontecimento da Páscoa: Aquele, que todos julgavam definitivamente morto, vive para sempre. Elas devem proclamá-lo, no quotidiano, transformando a vida.

3.A objecção a esta esperança é grave: a nossa história desenrola-se sob o domínio da violência e a morte parece vitoriosa; as Igrejas nem sempre reconhecem que são provisórias nas suas formas, imperfeitas e criticáveis nas suas opções e condutas. Diz-se que o Espírito de Cristo nunca faltará à Igreja, mas as Igrejas, santas e pecadoras, podem faltar à convocatória da sua Palavra. Numa leitura retrospectiva, não reparando no que falhou, é sempre possível dizer que, em cada época, surgiram as iniciativas de que precisavam para se manterem em movimento (2).
João Paulo II, secundado pelo cardeal Ratzinger, destacou a importância dos novos movimentos eclesiais, privilegiando aqueles que reproduzem as suas opções. Mas é uma maneira de dizer que também esses são provisórios.
O Graal, um movimento internacional feminino, surgiu em 1921, na Holanda. Com a participação de mulheres de vários mundos [Maria de Lurdes Pintasilgo, na foto, foi uma das personalidades portuguesas mais marcantes], celebra, neste fim-de-semana, em Fátima, o jubileu da sua entrada em Portugal, interrogando a sua história no horizonte do futuro: "Que raízes e que espírito nos moveram no passado e nos movem hoje? Como identificar hoje os grandes desafios do mundo? Será possível proteger a Terra duma catástrofe ecológica? Que acessos trilhar para uma vida de qualidade para todos? Terão as mulheres um gesto diferente ou a igualdade é o alvo? Poder-se-á passar do medo da diferença cultural ao louvor da alteridade? Que ética para enfrentar os novos problemas?"
Enquanto "tribo" dentro da comunidade da Igreja, o Graal investe numa liturgia ligada aos problemas e questões do mundo actual, expressão de uma Igreja inclusiva e aberta a todos, inscrevendo-se nas inquietações espirituais do nosso tempo.
A espiritualidade do provisório não é a resignação à ditadura do momento, à sedução do evanescente. É um caminho de sabedoria que, no quotidiano agitado e fragmentado, escuta a voz do Mistério presente em tudo para nada idolatrar.
(1) Des Églises provisoires. Essai d'ecclésiologie ecuménique, Paris, Cerf, 1985.
(2) Fidel González Fernández, I movimenti dalla Chiesa degli apostoli a oggi, Milão, Rizzoli, 2000





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publicado por animo às 09:10
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Sábado, 25 de Outubro de 2008
MATINAS


Neste soalheiro acordar para um novo dia, olha só, como dissipas todas as minhas dúvidas, enviando, qual estrada de Damasco acima, os sinais de que estamos no caminho certo.Obrigado, bom Deus, pelas palavras que hoje escolhemos para esta oração inicial:

SINAIS DE VIDA

Verificava-se nos encontros anuais dos antigos alunos capuchinhos que a equipa de 54 estava sempre
em maioria (se estou enganado que o digam), reparo que, de tantos, ainda ninguém  deu entrada no
IRMAO SOL.Lembro alguns:Mendes, Afonso, Ventura,Zeferino, etc etc.

Apresento-me: José Campos!, nada letrado mas, de vez em quando, prometo "botar"palavra, não para ser mais um, mas porque estou
convencido que o IRMÂO SOL vai ser (para mim já é) um grande instrumento de muita paz que sinto
todos os dias ao ler e reler tudo o que lá consta.


Faço votos para que os acima referenciados dêem sinais de vida e apareçam no nosso SOL.
Um abraço para todos.
José Campos.

NR- Zé, envia, quanto antes, uma foto tua e do teu ano. É do teu ânimo que o nosso também se faz para continuarmos por aqui! Muito obrigado. Esta, foi, de facto, uma das mais compensadoras Matinas dos últimos tempos. Obrigado, outra vez.ac

E porque temos problemas de edição, aos fins-de semana, aproveitamos a embalagem e fazemos do belíssimo texto do Pe Anselmo Borges, publicado, hoje, Sábado, no DN, assim prolongando estas nossas riquíssimas Matinas.Obrigado, Senhor, outra vez!

QUEM TESTEMUNHA O QUÊ

Padre Anselmo Borges

As Conferências do Lumiar, organizadas pelas monjas dominicanas, têm como tema neste ano lectivo "testemunhar". A mim, na abertura, coube-me o título em epígrafe: Quem Testemunha o Quê?

No plano cristão, o testemunho ocupa lugar nuclear e determinante. Jesus, diante de Pilatos, o representante do Império Romano, respondeu: "Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. Todo aquele que vive da Verdade escuta a minha voz." E antes da ascensão ao Céu, disse aos discípulos: "Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo." Na Bíblia, é infindável o número de referências ao testemunho, ser testemunha, dar testemunho.

Testemunha e testemunho provêm do latim testis (*tristis, "que está ou assiste como terceiro", com raiz em tri, redução de tres, treyas + sto). Percebe-se assim a ligação com tribunal. Essa conexão é dada do mesmo modo em alemão, por exemplo: Zeuge (testemunha), a partir de ziehen, especialmente das Ziehen vor Gericht (levar a tribunal) e, também, Zeugnis ablegen (dar testemunho), überzeugen (convencer, levar alguém com provas a reconhecer algo como verdadeiro); Zeugnis é o comprovativo das notas dos alunos, que provam o seu esforço e saber.

Num tribunal, há testemunhas de defesa e de acusação, o que está em julgamento e um juiz. No cristianismo, Jesus, por palavras e obras, deu testemunho do que viu e ouviu de Deus, seu Pai: que é amor, e espera-se e exige-se que os cristãos dêem, por palavras e obras, testemunho do que viram e ouviram de e sobre Jesus: ele é o Messias de Deus, que revela quem é Deus para os homens e o que são os homens para Deus, com todas as consequências.

Há testemunhas que dão testemunhos verdadeiros e outras, falsos. O tribunal procurará averiguar a verdade ou a falsidade do testemunho, buscando contradições. No nosso caso, pode haver, de facto, contradição entre o testemunho dito e o testemunho pela acção. Pense-se, por exemplo, no Vaticano, no luxo do clero, na pedofilia, na avareza e na injustiça cínica dos cristãos - não contradiz a prática o que se confessa por palavras?

Por outro lado, é preciso testemunhar até ao fim. Não se pode negar o que se viu e ouviu. Foi assim que fizeram Jesus e os discípulos: testemunharam, atestaram, certificaram até ao sangue e à morte - mártys e martyrion, em grego, significam, respectivamente, mártir e testemunho ou prova. O testemunho implica coragem de ser: significativamente, outra acepção de testis (testemunha e testículo) é força varonil.

Então, dá-se testemunho de quê? Da verdade? Da beleza? Da dignidade? Da solidariedade? Da malvadez? Da vulgaridade? Da fealdade? Da injustiça?

Porque todos damos testemunho. O próprio mundo dá testemunho. Mas de quê ou de quem? Esse testemunho é ambíguo. Porque há a beleza e a ordem do mundo e também a sua desordem e fealdade. O mundo exalta, o mundo horroriza. A natureza tudo dá à luz e tudo destrói e sepulta.

O Homem recebe o testemunho e tenta decidir. O que são as filosofias e teologias e a grande música e poesia e artes senão testemunhos? Mas o mundo é racional ou irracional? Na sua raiz, está a Vontade cega? É sempre o eterno jogo do mesmo? E a História dos homens? Tem sentido? A História do mundo é o juízo do mundo, como queria Hegel - Weltgeschichte Weltgericht? A História é moral? Mas então quem dá razão às vítimas inocentes? Há uma dívida para com elas. Quem a paga? E testemunha-se perante o quê ou perante quem? Perante a consciência, perante os outros, perante a História. Mas, para quê, se tudo for devorado pelo nada? Quem é o juiz?

O mundo está em processo, e o processo ainda não transitou em julgado. Ninguém sabe o que está em questão na História do mundo e na História dos homens. A História lê-se do fim para o princípio e precisamente o fim ainda não chegou. Mas os crentes esperam que, no fim - no chamado Juízo Final -, Deus se revele como testemunha favorável a todos e juiz misericordioso. |


publicado por animo às 08:07
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Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008
TODOS PARA O RECREIO


Mais uma semana a puxar pelo pessoal. A redacção confessa o seu cansaço. A "gente" inventa "números", "espaços", "secções", vasculhamos no baú de todas as recordações, à espera das muitas reacções, lançando avisados e, quiçá, excessivos alertas, precauções, tipo, "eh! pessoal a ver se isto não vira passadismo balofo, estamos cá para dar conta do presente, não para fazer de conta que o passado não mexe com a gente, sim, mas que a gente é que quer que o presente conte com a gente", etc, etc, lançamos temas, convocamos debates - neste preciso momento o escriba acaba de falar com esse grande evangelista do sec XXI, Pe Anselmo Borges ( de quem, amanhã, aqui publicaremos o seu Webangelho do Diário de Notícias ) a quem pedimos nos honre com dois ou três parágrafos sobre a importância da net como lugar de Webangelização - e, aos despois, vai-se a ver e as reacções são tão escassas.

É lógico que não podemos, e não seria justo da nossa parte, deixar de sublinhar a qualidade das participações até agora registadas. Mas... queremos mais, muito Mais. Queremos, por exemplo, encontrar muito mais gente nas Matinas, nas Vésperas, ( sim, o escriba continua à procura de um fio condutor, se calhar, rezar é mesmo "querer rezar"). Queremos, por exemplo, investir no "directo" simulado e, num minuto, tomar o pulso ao que está a acontecer na vida de cada um, para que ela possa ser partilhada por todos. Sim, somos uma tribo e se não nos preocuparmos com aqueles que nos estão mais próximos, quem é, de facto,  o "nosso próximo" a quem devemos amar, como nos disse Jesus?

Pronto. Tudo isto para dizer que vai tudo para o recreio ... de fim-de-semana. Toca a gozá-lo o melhor possível. A edição também não pode conhecer o ritmo intenso dos outros dias, desde logo, porque a rede da redacçao - algures , no Portugal interior - não é estável, o que faz tornar em dolorosa espera aquilo que é a alegria da esfera ( o Globo!!!), quer dizer, a rápida  Web.

Voltaremos, amanhã e domingo, pelo menos, para o WEBANGELHO de Anselmo Borges, Bento Domingos e outros.

Um bom fim-de-semana. Toca a desentorpecer esses músculos emperrados, venham de lá muitos textos bem esgalhados.

ac


publicado por animo às 16:35
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Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008
Vésperas. O sol da noite


Obrigado, Senhor, por este Monte, por esta Serra do Bando . Como se nunca noite e dia tivessem lugar e, apenas, a Ti, aqui Te pudéssemos já contemplar. Obrigado por este pedacinho de Céu, que, neste momento, nesta noite, apesar de tão looooonge me fazes sentir cá dentro tão perto. Sim, estou apenas perto de ti. Ainda preciso de um monte para saber de ti. Mas sei que estou cada vez mais perto de sentir a Totalidade que És, cá bem dentro, e que cada coisa que faço à tua imagem e semelhança, pelo menos, por agora, eu bem tento.

ac


publicado por animo às 19:59
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Adega espirituosa


Este é o Dionísius que guardo na minha sala, adquirido em Roma, nas redondezas da Via Apia Antica, perto de uma Villa  de Adriano, e Dante Lieri assim se chamava o seu autor. A sua textura fascina e o estar ali, bem por cima dos diversos licoreiros, em nada desafia os céus e, neles, mais do que um qualquer pândego deus, o nosso verdadeiro Deus que a tudo preside.



Creio, pois, que, desde os tempos imortais, Deus, em tudo o que fez só pensou em nós, no nosso bem estar, mesmo que, dotados da liberdade, fazendo mau uso dela, gerássemos algum ..mal-estar! Quero eu dizer, abusássemos do sumo de uva que tanta canseira nos custa.



Mas, foi o vinho que Jesus, o Cristo, escolheu para nos sinalizar o quanto connosco queria ficar. Oh, para este lindíssimo recorte do púlpito da Matriz de Mação.



Um outro pormenor riquíssimo de talha dourada da Matriz de Mação.



Eis-nos, então, chegados ao pequeno santuário dos meus licores. Em memória de minha saudosa Mãe, ali permanecem, aconchegados em delicados licoreiros - sim, o vidro, a transparência para que nos convoca é decisiva para o primeiro impulso - a tangerina, a amora, o poejo, a lúcia lima, a romã mas, também, a ginja.



Mais não são do que pretextos para as tantas conversas, celebrações intensas de continuarmos vivos, dando graças.

E tu, que aqui paraste. De que licores se faz o teu dia? Não queres partilhar uma receita? Hoje, para não se dizer que puxo a brasa, perdão o licor à minha sardinha, ergo um "Singeverga" em homenagem ao labor dos nossos amigos beneditinos. ( Vês, irmão Francisco, por que raio não descobriste tu o lemonchelo e aqui estaríamos a celebrar os doces fulgores do...Irmão limão?!).

ac


publicado por animo às 17:24
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