Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009
WEBANGELHO
freibentodomingos

domingo, 4 de Janeiro de 2009


A grande crise da fé


 


Quando a ética, as leis, a fé e a justiça não funcionam, ainda resta o desespero e a violência



1.Simplificando muito, o capitalismo, na sua expressão pura e dura, era a única salvação, sobretudo depois da queda do Muro de Berlim. Agora, já não são, apenas, os anticapitalistas do costume a verem nele o caminho da perdição. Quem esperava ter o paraíso garantido para sempre, sentiu-se atirado para as trevas exteriores, onde só há choro e ranger de dentes, a morte de toda a esperança.
Para quem acredita que fora do capitalismo não há salvação, a tarefa mais importante consiste em restituir a fé e a esperança nesse sistema para salvar a economia de mercado. A fórmula pronta a servir, diante do fracasso da sua auto-regulação, é a ética aplicada. Como a ética não é um produto natural - para não deixar tudo à arbitrariedade subjectiva -, são precisas leis que regulem a vida numa sociedade democrática. Como as leis precisam de ser aplicadas, é necessária a supervisão para saber se estão a ser bem aplicadas ou não. Como numa sociedade laica não se confia a Deus a supervisão, é preciso fé nos seres humanos e no funcionamento das suas instituições. Como estes e estas são falíveis, é preciso o recurso à polícia, aos tribunais e às cadeias. Como a justiça não tem fórmulas automáticas de funcionamento, também é preciso fé na justiça, fé no Estado. Diz-se que, quando nada disto funcionar, ainda resta o desespero e a violência.


2.Depois de oito anos a acreditar nas trapaças de George Bush e da sua pandilha, assim como nos negócios vergonhosos da Wall Street, procura-se fazer de Barack Obama o salvador da superpotência para que ela seja a salvação do mundo. É normal que cada grupo procure atrair o Presidente para o seu campo. Foram, sem dúvida, os menos poderosos que o elegeram. Serão, no entanto, os mais poderosos que, em nome das virtualidades da economia de mercado e do seu dinamismo, desviarão a atenção de Obama dos mais pobres das Américas, da África e da Palestina. Israel já fez o suficiente para mostrar que, mesmo com o fariseu Madoff na cadeia, os EUA devem continuar com fé em Israel, mesmo depois de todos os crimes contra a humanidade.
Não duvido de que todas as tentativas serão destinadas a arranjar oxigénio para o capitalismo, mesmo através das indesejadas intervenções do Estado. É opinião corrente que o próximo ano vai ser mau para os que mais precisam e que ainda não será o último. Depois, julga-se, pela lei dos ciclos económicos, que a prosperidade regressará.

3.É normal que, agora, se volte a discutir a ética protestante e o espírito do capitalismo, caracterizados por Max Weber, ou seja, o conjunto de ideias e de práticas que favorecem, de forma ética, a procura racional do lucro económico. Outros regressarão à Idade Média, a S. Francisco de Assis, que abandonou os negócios do pai para "seguir nu o Cristo nu", mas que originou os paradoxos franciscanos que vão da pobreza voluntária ao contributo para a sociedade de mercado (1). No campo católico, a Doutrina Social da Igreja será invocada, não como uma alternativa ao capitalismo liberal e ao colectivismo marxista, mas como uma instância moral que saiba situar o ser humano na sua vocação terrena e transcendente, reconhecendo o destino universal dos bens (2).
Neste tempo de Natal e no meio de todas estas crises de fé em tudo aquilo que se julgava o caminho e os instrumentos do bem-estar presente e futuro, não se esqueça Jesus de Nazaré, alguém que nunca viveu para ser rico. Ganhava a vida pelas suas próprias mãos, não era um austero como João Baptista, gostava da vida, mas detestava, radicalmente, a ganância, o amor ao dinheiro, à riqueza, e não suportava ver uns a banquetear-se no luxo e outros atirados para a miséria: "Guardai-vos cuidadosamente de qualquer ganância, pois, mesmo na abundância, a vida do homem não é assegurada pelos seus bens." "Que adianta ganhar o mundo inteiro e perder-se a si próprio?" E avisava as pessoas de muita religião: "Não podeis servir a Deus e ao dinheiro", porque "onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração". A última leva de historiadores mostra que Jesus está rodeado pelo mundo farisaico. Conhecia-o muito bem e os fariseus também o conheciam, mas consideravam Jesus um ingénuo na sua atitude perante a ganância. É, pelo menos, o que S. Lucas observa: "Os fariseus, amigos do dinheiro, ouviam tudo isso e zombavam dele" (3).
Celebramos, hoje, a Epifania - impropriamente dita festa dos "Reis Magos" -, isto é, o encontro simbólico do mundo estranho ao judaísmo com Jesus Cristo. É interessante notar que Jesus não se ajoelha perante os símbolos da riqueza (ouro), do sagrado (incenso) e da imortalidade (mirra) que lhe apresentam. É a grande mensagem cristã: não vender a alma a nenhum bem deste mundo profano ou religioso.
O melhor que nos poderia acontecer em 2009 seria a perda da fé naquilo que nos perde e nunca nos poderá salvar.

(1) Giacomo Todeschini, Ricchezza francescana. Dalla povertà volontaria alla società di mercato, Bologna, Il Mulino, 2004.
(2) João Paulo II, A Solicitude Social da Igreja, n.º 41 (1987).
(3) Mt 6, 24; Lc 16, 13; Lc 12, 33-34)

(In Publico,4Jan09)


NOTA


Quem quer partilhar?Um texto fabuloso, mesmo com uma farpazita aqui para estas bandas, quer dizer..


ac



publicado por animo às 09:17
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MATINAS
030120092508a

- O quê, uma reportagem para o irmão sol?! Vieram a Fátim de propósito para me visitarem?Oh, meu Deus, ele é RTP, TVI, agora o irmão sol....façam favor de entrar!

Obrigado, Senhor, pelo privilégio de termos connosco uma gruta, um lugar onde podemos exaltar as vossas maravilhas, onde podemos conhecer melhor o sentido mais profundo e luminoso da vossa Palavra.Obrigado por este Frei Lopes Morgado!

Edição mais logo!


publicado por animo às 08:11
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Sábado, 3 de Janeiro de 2009
PRESÉPIOS.FREI MORGADO, AMANHÃ....
...NA TVI.

DEPOIS DA MISSA MATINAL, NO PROGRAMA 8ª HORA!

ENTRETANTO......

O irmão sol está hoje a caminho de....

AGUARDA PARA SABERES!!!!


publicado por animo às 09:41
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WEBANGELHO
anselmoborges_deus2

PROVIDÊNCIA E ECONOMICÍDIO


Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia


Antes, era a Providência divina. Deus, no seu saber, bondade e poder infinitos, governa o mundo, e a Humanidade está sob a sua protecção. Mesmo quando a dor, a desgraça e a morte se abatem sobre os seres humanos, deve-se confiar, pois Deus tudo dirige segundo o seu desígnio. Aliás, Leibniz escreveu a sua Teodiceia precisamente para, como diz a própria palavra, justificar Deus perante a razão, por causa do mal do mundo. A justificação é: sendo Deus omnisciente, omnipotente e infinitamente bom, este é o melhor dos mundos possíveis.

Hegel de algum modo secularizou a teodiceia, substituindo-a pela historiodiceia: a História autojustifica-se, pois ela é a manifestação e realização do Espírito Absoluto no seu autodesenvolvimento dialéctico, a caminho da plena autoconsciência. A negatividade é momento do processo e a "astúcia da Razão" consiste em colocar mesmo o particular e negativo ao seu serviço. Se a historiodiceia toma o lugar da teodiceia, a Razão na sua astúcia substitui a Providência.

Na economia, a teodiceia e a historiodiceia são substituídas pela mercadodiceia - o mercado justifica-se a si mesmo. Entregue livremente a si próprio, o mercado fará com que, apesar de cada um procurar o seu interesse, tudo convirja para o maior bem de todos. Nele, habita a Providência, agora com o nome de "mão invisível", como disse Adam Smith.

Mas Kant chamou a atenção para o "falhanço" da teodiceia: como pode a razão finita justificar Deus? A "astúcia da Razão" não é suficientemente forte para assumir as negatividades improdutivas. Quanto à "mão invisível", deixou mesmo de se ver. Quem tinha dúvidas esbarrou agora com a evidência. O antigo presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos Alan Greenspan recuou na fé de 40 anos: "Cometi um erro ao confiar que o mercado livre pode regular-se a si próprio sem a supervisão da Administração."

A crise está aí, imensa, imprevisível. Começou com o sistema financeiro e está a chegar, à maneira de tsunami, à economia real, e teme-se um economicídio.

Agora que o mundo do negócio se afunda, é tempo de parar no ócio - quantos se lembram que a palavra escola vem do grego scholê, que significa ócio, não no sentido de preguiça, mas de liberdade para pensar? -, precisamente para pensar.

Quando se pensa, percebe-se que afinal não há alternativa à economia de mercado, mas ela tem de ser economia social e ecológica de mercado, acentuando os dois adjectivos: social e ecológica. Economia quer dizer etimologicamente lei da casa; ora, a casa tem de ser a casa de todos e para todos e a casa é o planeta Terra, que é obrigatório preservar.

Quando se pensa, vê-se claramente a urgência de apelar para a necessidade da regulação e da ética no universo da finança e da economia. Ética - mais uma vez, segundo o étimo grego - tem a ver com o comportamento que se deve ter para habitar a casa comum.

Quando se pensa, espera-se que a justiça funcione. De facto, houve incompetência, aventuras especulativas irresponsáveis e também se fala em corrupção e crimes vários. Sem justiça, como repor crédito e confiança no sistema? Problema maior: quantos acreditam e confiam real e verdadeiramente na justiça em Portugal?

Pensando bem, precisamos de distribuição mais justa da riqueza - não se lia há dias no DN que "os rendimentos dos presidentes executivos das 50 maiores empresas europeias equivalem a 441 salários mínimos da Zona Euro"? Não continua também entre nós a cavar-se cada vez mais fundo o abismo entre a ostentação obscena da riqueza e a iniquidade cruel da pobreza?

Quando se pensa a fundo, talvez se conclua que é tempo de pôr mais o acento na cultura do ser do que na cultura do ter. E não será urgente viver com mais moderação - de mederi, donde vem também meditação e medicina?

E torna-se absolutamente claro que está aí o tempo da solidariedade. Se não for por humanidade, ao menos por egoísmo esclarecido. De facto, a acumulação sucessiva de frustração, impotência, fome, degradação, injustiça, pode levar a confrontos sociais de consequências imprevisíveis.

 



( In, Diário de Notícias)


publicado por animo às 09:04
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O REGRESSO
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2jane

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Sobe por esta Calçada. Lá verás de que palavras se alimentam estas imagens!

antónio colaço


publicado por animo às 09:01
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Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009
LONGRA LOGRA O PRIMEIRO TEXTO 2009!
armandopinto

Amigo Colaço e Amigos do Irmão Sol:
Uma Boa Passagem de Ano e um óptimo ano de 2009 – para todos, como para mim desejo!
Assisti ontem, no programa Ecclesia, da RTP2, à reportagem com o nosso Frei Lopes Morgado. Foi um regalo para a alma ouvi-lo falar, tomar conhecimento de seus enternecedores poemas (já agora, onde se podem adquirir os seus livros?) e ainda ter podido ver as imagens dos seus presépios. Um abraço ao Frei Morgado – e domingo vamos voltar a (re)vê-lo…!
Sobre o nosso Natal, por esta minha região não há grande oportunidade já de se ver presépios, como referi anteriormente (exceptuando os casos dos presépios domésticos, cuja tradição resiste nalgumas casas), além de esporádicos exemplos de presépios ao vivo, com figurantes humanos, em horas determinadas para as naturais visitas, em realizações levadas a cabo para angariação de fundos em certas paróquias.
Gostei muito dos presépios ao ar livre, da região do amigo Colaço, e do de Toronto, conforme foi dado a conhecer pelo nosso confrade Casais.
Pela minha parte, por não ter nada mais à mão, envio duas imagens da mesa de Natal de minha casa (fotografada antes), posta para o convívio de família que foi, mais uma vez, bem feliz. Podendo, numa delas, ver-se uma nesga dos presentes, que estavam já junto ao presépio, para posterior distribuição…
Recebi mensagem natalícia, via telemóvel, do Agostinho Vaz (e julgo que ele recebeu a minha, de retribuição) - significativa dos laços que unem o espírito Capuchinho de sempre.
Continuação de Boas Festas, para todos.
Armando Pinto


publicado por animo às 16:30
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DOIS MIL E NOVE..S FORA COM O DESÂNIMO!!!
1jan091

A primeira hora de 2009!

1jan09a

Feliz 2009!Fora com injustiças e desigualdades sociais!

A Paz e o Bem bem dentro de cada um de nós!

antónio colaço


publicado por animo às 14:41
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