Terça-feira, 25 de Agosto de 2009
DOIS TEXTOS DO JOAQUIM AFONSO.LEITURA PARA AJUDAR A PASSAR O TEMPO ATÉ AO 5 DE SETEMBRO!
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A FALÉSIA OU A RETÓRICA DA FALÁCIA



Os jornais diários e os outros meios de comunicação e difusão audiovisual são extremamente fecundos, poços sem fundo a olho nu, vislumbrando-se aqui e além, nas profundidades mal enxergadas pelo olho, na divulgação tumultuosa dos acontecimentos, alguns animaizinhos a que a ciência rotula de crocodilos, jacarés ou frustrados peixes voadores, resistentes às intempéries mais naturais ou maleitas urdidas e artificiais e cientemente provocadas pela dor e sentido humano.

Todos os que apreciam o sol e quem são os que o não apreciam em dose racional, quando a natureza decide, desvendando silenciosa e surpreendentemente os seus segredos íntimos e ciclicamente dotar estes seres abundantes e de pele pluri-dimensional de escamas incontáveis, protectoras e de penugem mais ou menos resistente aos raios, não os que os partem, mas os outros, que deviam ser partidos e esbatidos até à exaustão com um grande martelo-pilão de dimensão nacional e até internacional ou por quem tenha a força hercúlea nas mãos e no ser e a coragem de o fazer com alguma soberba e invejável pedagogia.

Refiro-me à tão apregoada tragédia, tragédia sem culpados comentam os jornais e as revistas, com muitas e exaustivas explicações à mistura de gente erudita, culta, conhecedora de realidades profundas e superficiais, inatingíveis aos néscios e sobretudo de retórica falésia inaudita.

Claro que tudo isto causou imenso alarido e pasmo no grande auditório turístico e em todos os veraneantes e nos malfadados e sortudos fatídicos. Eclosão natural nas arribas, marés muito fortes, sismo e falta de cultura de segurança são justificações para o acidente mortífero da praia Maria Luísa. No entanto, as férias continuam e os turistas e mirones enchem o areal, tipo praia de Alcácer-Quibir no Norte Africano, também ela catastrófica e mortífera em tempos, admirando e chorando não o rei desaparecido que já foi e segundo alguns, regressará em dia de névoa como redentor, mas o monstro causador da tragédia infame e dolorosa.

Cinco vítimas a lamentar, mas quem é que as lamenta? As crepideiras e os crepideiros algarvios? Os donos desenfreados e abonados de poder e glória ou os senhores do império, alheados em praias exóticas e secretas e destas e outras tantas derrocadas iminentes? A protecção civil e os bombeiros? Santa Bárbara Virgem? Os Sindicatos e os trabalhadores? O futebol? A autarquia ou o autarca - mor ou o director regional do turismo? O governo e a legislação? A região hidrográfica? A Sexta-feira que por azar não era treze? A autoridade marítima e a protecção civil? Os bombeiros, o inem, gnr, psp, sef? Impermeabilização dos solos das arribas? A subida do nível da água do mar devido às alterações climatéricas e a fraca resistência das rochas ao ataque do mar? Os geólogos e biólogos? O bode? Afinal, quem são os lamentadores e lacrimejantes fingidos? O povo anónimo, choroso e magoado de tantas aberrações? O Velho do Restelo ou o profundo Adamastor incógnito? Alguma divindade frustrada ou aspirante a deus maior? Algum rei encoberto e disfarçado de Sebastião? Porventura, o Diabo revoltado contra Deus?

Não pensem que foi castigo divino. Já lá vai o tempo em que nos ameaçavam e eles sabiam porquê com o caldeirão de azeite fervente ou as luminosas e tenebrosas labaredas do fogo do inferno e destruíam e capavam os nossos indomados instintos com estas falácias pias, santas e crentes ameaças, que não só nos cegavam quase eternamente os olhos, mas também o reduzido cérebro. Cegas ameaças! Afinal, pode um cego orientar outro cego? Haverá euromilhões ou totoloto chorudo que apague  a dor de uma vida, vidas…

Afinal, para onde vamos?

Depois de casa roubada, trancas à porta… E, esta, hein!?

 Joaquim Afonso

 

 

 

HPIM6013


 


DOURO EDÍLICO OU DOURO ETÍLICO


(Prefiro o douro edílico, mas…etílico)


 



Quem não aprecia surpresas? Mas, surpresas agradáveis, pois as desagradáveis surpreendem-nos quotidianamente e primam por uma constância crescente e enigmática. As segundas, hoje passarão para segundo plano para dar relevo e ênfase às primeiras, não fossem elas dotadas de muito sentido e prazer, quando inesperadamente advêm. Toda esta lamúria preambular apenas quer acentuar uma particularidade singular e original que seres ainda muito novos e tenros e de olhos postos no futuro, que tentam obreira e incipientemente construir hoje com algum ardor e determinação, num determinado dia e hora, apareceram sorridentes e cépticos perante outros dois seres humanos, que por sinal dizem e provam que adoram, no sentido de os surpreender onírica e positivamente.

Estou a querer falar-vos da nossa viagem Douro arriba, Douro Azul. Não a viagem à lua futura do homem, aquele homem que sonha e tenta transformar o vil metal em ouro, o sonho em física, não o rio do melodioso Fausto “ Por este Rio acima”, tão bela é a melódica canção, ritmada e sincronizada de quedas e ondas leves provocadas pela barcaça altiva e elegante e pouco frondosa no ascendente luminoso e serpenteado cenário variado e de arvorizados granitos mil, dispersos e organizados arquitectónica e emporiamente alguns, segundo os padrões secretos e belos da mãe natureza e alimentados viçosa e libidinosamente pela água repleta de peixes graúdos e pequenos, muito viscosos e aparentemente agitados pelos humanos intrusos, provavelmente um pouco etilizados pela história, pelo ar, fresca e abundante serra e variada natureza. Não é o rio da minha aldeia, hoje triste e quase moribundo, não é o rio do Fausto, o dos descobrimentos tão falados e por vezes tão maltratados, não é também, exactamente o do Rui cantador de canções e baladas, do casario e alfobres em restauração lenta como a água do rio e das engenhosas e elegantes pontes com pés gigantes de sustentáculo, embora o do Rui seja quase a metáfora daquele que nós navegámos presenteira e luxuosamente, diga-se. Também não é o teu ou o meu rio ou do teu pai ou avó. É o nosso rio, o rio de nós todos os portugueses e do mundo, sobretudo e também o irmão daquele que lhe dá origem, dos nossos irmãos do outro lado da linha imaginária, que tu bem conheces e por vezes não entendes, hoje em paz, pois a guerra é passada e esquecida e que o seja para sempre! É o rio que nos conta as histórias guardadas nas profundidades do passado e do seu leito, algumas muito trágicas e dolorosos, fruto de intrusos danados. É o rio que te conduz ao cume da montanha, onde o sol brilha sempre. É o rio das vindimas e dos vinhateiros, dos homens e mulheres, da fome e da miséria, do trabalho sazonal, dos braços de várias provenientes, da esperança, da sobrevivência onde o emprego não abundava, dos estreitos socalcos e de exóticas experiências. É o rio da nascente indústria do turismo, das quintas antigas, adegas e lagares. É o rio da cultura, das tradições, dos rituais, mas não o da praia e do golfe. É o rio do enoturismo, dos refúgios de charme em seculares solares, dos cruzeiros modernos e do comboio antes a vapor. É o rio destino que leva ao mar e ainda sossegado da civilização ávida de o desassossegar, das paisagens diversificadas e superiores. É o rio das pessoas, da gente, do anti-artificialismo, do futuro a navegar… Quem é o audaz timoneiro? É o rio do encanto e do mistério! Enfim, o rio de uma Nação e de uma Pátria (no bom sentido), sonhadora e sobretudo do povo lusitano tão forte nas suas pernas e nos seus pulmões e cuja voz e tensão chega a todos os descendentes de Luso e outros vindos de terras antes ditas, por outros, portuguesas, mas pouco iluminadas e famintas de luz, depois da cegueira provocada por tão longa e nebulosa escuridão imposta. É o irmão dos outros, mais velhos, mais novos, maiores e mais pequenos, sorridentes ou tristes, conforme o sangue que lhes circula nas veias doridas, dunadas e precocemente calejadas. É aquele que fica triste quando o seu irmão está moribundo e não tem médico nem remédio para a doença, assistência ou bombeiro que o salve. É aquele que dá vida, dádiva gratuita e generosa para que tu e eu e os teus se salvem sem qualquer bulício ou exigência e generosamente espalha pelos quatro cantos do paraíso, não do éden perdido e humilhado em terras d´Além, a sua frescura e vitalidade original e ímpar.

Sem ele e os seus irmãos o que seria de nós?

Quero dizer-vos, a modos de confidência muito secreta e intimista e particularmente partilhar convosco, que eu tive o privilégio e provavelmente outros, de ver e sentir um pedacinho do céu espelhado na superfície das águas, não o dos pardais, Platão ou Aristóteles, não o da Solnado ou quaisquer outros vendilhões arrogantes ou outras visionárias da praça da alegria enferrujadas pelas máscaras e pelo tempo, mas não tenho esse dom e categoria de pitonisa grega, nem o privilégio, que sinceramente dispenso e enjoadamente rejeito. É um outro, mais original e mais sagrado…

Querem experimentar? Façam como o aventureiro, desterrado e forçado  Luís (o trinca-espinhas, vulgo rilha-foles), lancem-se ao rio ou ao mar! Querem colete?

Então, navegar… navegar… navegar… é preciso! E, esta, hein!?

 

JA

NR -O nosso querido Joaquim Afonso está de regresso e em grande forma. Temos em nosso poder mais textos. Explicámos ao Quim que só agora começamos a editá-los tão concentrados andámos em convocar o pessoal para a adesão ao 5 de Setembro! Essa tarefa terminou ( a propósito, já te increveste? Se não vai ali abaixo e vê o que ainda podes fazer!)e por isso, agora, mais serenos podemos entrgar-nos à leitura, assim como que a passar o tempo mais depressa até ao 5 de Setembro! Sigam o exemplo do Quim! ac


publicado por animo às 08:17
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